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Profissão de assessor de investimentos ganha espaço

Estadão Conteúdo
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Com a popularização das plataformas abertas de investimentos, uma figura que ganha cada vez mais destaque no mercado financeiro é a do assessor de investimentos, que atua como agente autônomo (AAI) ligado às corretoras.

Segundo a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), o Brasil fechou o terceiro trimestre com 11.305 AAIs credenciados, alta de 27,83% na comparação com o mesmo período do ano passado. Destes, 8.981 estavam vinculados a pelo menos uma corretora, o que é obrigatório para exercer a profissão. Por lei, os AAIs só podem distribuir valores mobiliários por meio de uma única corretora.

A consultoria AAWZ aponta que 77% dos assessores são ligados à XP Investimentos, maior corretora do País. De acordo com a empresa, que disputa esse mercado com diversas corretoras e enfrenta o recente avanço do BTG Pactual, apenas em outubro foram adicionados 500 novos assessores à sua base.

Considerado uma evolução do tradicional gerente de banco, o AAI é um profissional especialista em investimentos, que trabalha diretamente no relacionamento com o cliente e ajuda o investidor na montagem da sua carteira. O AAI não pode recomendar produtos diretamente, servindo como uma ponte entre o cliente e a equipe de análise de cada corretora.

Para exercer essa função é necessário ter uma veia empreendedora e gostar de se relacionar com pessoas. "É um trabalho que também envolve educação financeira, uma vez que o assessor, muitas vezes, acaba sendo uma espécie de professor para o investidor iniciante", conta Bianca Juliano, responsável pela escola de MBAs da XP.

Coordenador do MBA Banking da FIA, Roy Martelanc compara a função à de um caçador, tendo em vista que os resultados dependem do quanto cada assessor consegue captar no mercado. "O resultado depende do seu esforço e capacidade. Se a pessoa compreender bem como funciona o mercado de investimentos, pode crescer muito rápido."

Também é importante que o AAI goste e tenha noções sobre macroeconomia, para explicar ao investidor como cada investimento faz sentido dentro da estratégia. A profissão é considerada um dos principais responsáveis para o avanço recente das plataformas.

A remuneração média varia muito, uma vez que depende do volume de recursos na carteira de clientes. Os AAIs não recebem um salário fixo, mas comissões, chamadas de rebates, conforme o produto vendido. Um assessor que atende clientes do segmento private, mais endinheirados, tende a ganhar mais do que um profissional dedicado a investidores com patrimônio mais baixo, por exemplo.

Geralmente, os clientes com tíquete menor são direcionados a assessores mais jovens, que estão começando na sua carreira. Aqui, é importante ressaltar que a maioria dos escritórios de AAIs costuma priorizar o atendimento para investidores com patrimônio a partir de R$ 300 mil, R$ 500 mil, oferecendo modalidades digitais mais simples de assessoria para quem tem menos dinheiro.

Segundo Bianca Juliano, a XP repassa mensalmente à sua rede de AAIs cerca de R$ 20 mil por assessor, através das comissões. Contudo, ela também alerta para a importância de se fazer um planejamento sólido para quem pensa em migrar para a carreira. "É preciso tempo para formar um portfólio robusto, algo entre um ano e meio e dois anos."

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