Abre as asas sobre esta nação encoberta por um desfile mordaz de atrocidades políticas, jurídicas e sócio econômicas sem precedentes. Há uma certa complexidade essencial ao destacar os aspectos variantes que a compõe, pois encontrar a precisão justa para contrapor direito e dever frente a frente, e nesta colidência, auferir medida que satisfaça a ambos, requer perscrutar a ambivalente face desta que se faz presente no samba, na dissimulação da retórica partidária e no quase abismo das instituições erguidas sob a égide dos princípios democráticos. Todos querem voz e vez nesta nação de gente extrovertida, bem-humorada, sedenta por justiça.
Gente que aprendeu a rir de si mesma e das constantes desgraças que desagradam e degradam um dos pilares da pessoa humana, que se revela no Princípio da Dignidade. Gentes, que na maioria das vezes, conseguem ser gentis e cordiais, e que souberam como ninguém mais, acolher toda a diversidade étnica e ousou atravessar oceanos pra vir contar e fazer sua história aqui. Gente que veio com a pouca esperança na bagagem sofrida, que traçou planos e rumos e construiu com suor e lágrimas, um pedaço de chão pra poder pisar.
Enquanto liberdade, esta dignidade precisa ser exercida em sua máxima plenitude ética e isto sim tem a ver mais com educação cívica em seu sentido próprio e estrito. Ou seja, a cidadania contém em si, um arcabouço de direitos e deveres. Convém afirmar categoricamente que o exercício do direito à liberdade de expressão encontra sua medida no dever de abstinência ao qual todos estamos jungidos, se e quando nos excedemos e ao invés de nos "expressar", nós inflamamos o verso, o verbo ou a conduta e desabamos sobre o alicerce do exato correspondente direito da outra pessoa. Portanto, dada a subjetividade que o assunto requer, urge rever nossos passos, gestos, vozes, manifestações ao praticá-lo e disciplinar a nossa vontade de simplesmente colocar em alto e bom tom o que nos vier à telha.
Não, realmente não podemos ultrapassar alguns limites...e neste particular, vejo pais e mães desesperados com os filhos adolescentes na vã tentativa de lhes impor alguns. E é a partir deste contexto que aquela educação cidadã deve cumprir seu papel fundamental. E também, é a partir deste referencial que toda a Sociedade Brasileira deve observar sua conduta coletiva e imprimir uma postura condizente com aquilo que se desejou com os princípios políticos norteadores de nossas condutas, prenunciados desde a promulgação da constituição vigente.
Nos responsabilizar significa ter consciência individual e coletiva para escolher aquilo que seja justo. O direito não surgiu para que os vilões saíssem impunes, mas para que todos os desprotegidos pudessem ter sua vida e dignidade garantidos. Encerro com uma frase de Paulo de Tarso, que referenda o conteúdo deste texto, em sua máxima síntese: "Tudo me é permitido, porém nem tudo me convém".