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Regional de saúde alerta que rede está colapsando e faz apelo para população

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 4 min

"Os hospitais estão colapsando. É uma situação caótica e assustadora". O alerta é da diretora do Departamento Regional de Saúde do Estado de São Paulo (DRS-6), Doroti Vieira Alves Ferreira. Em entrevista ao JC no início da noite desta quinta-feira (14), a autoridade afirma que a rede de saúde pública de Bauru e região chegou no limite devido ao aumento de casos graves de Covid-19 e que está prestes a não ter mais condições de oferecer tratamento para esta e outras doenças. Ela ainda alerta que, se a necessidade por atendimento continuar neste ritmo, em pouco tempo, os hospitais não terão mais vagas disponíveis. Por isso, ela faz um apelo para que as pessoas, além de se atentarem às recomendações sanitárias, fiquem em suas casas.

A taxa de ocupação registrada em hospitais de Bauru nesta quinta-feira (13) dão um panorama deste momento. No Hospital Estadual (HE), unidade de referência para atendimento voltado à Covid-19 na região, o índice de ocupação das 50 vagas de UTI estava em 92%. Na enfermaria, todos os 48 leitos disponíveis para pessoas com a doença estavam preenchidos.

Segundo a gestora, esta é a situação mais crítica desde que a pandemia começou, porque, ao contrário do pico da doença no ano passado, está chegando um ponto de não ter mais como remanejar e abrir outros leitos de Covid-19 no HE, já que toda a unidade está lotada, incluindo a parte destinada a outras especialidades. Doroti descreve que, do total de leitos para as demais patologias, todas as 20 vagas de UTI e as 209 de enfermaria estavam ocupadas ontem.

"Os profissionais de saúde estão cansados. Estamos chegando ao ponto de não termos mais como abrir novos leitos", afirma a diretora, ressaltando que, em todo o DRS-6, que inclui os hospitais públicos de Bauru, Botucatu, Jaú, Lins, Avaré e Promissão, 84% das 140 vagas de UTI estavam tomadas.

Já no hospital de campanha instalado no prédio do Hospital das Clínicas (HC) da USP, voltado para o atendimento de casos de Covid-19 de baixa complexidade, 90% das 20 vagas de enfermaria estavam ocupadas. Doroti ainda pontua que existe a previsão de que mais 10 leitos de enfermaria sejam abertos na unidade, em cumprimento de uma determinação judicial (leia mais ao lado). Ela, entretanto, diz não ter informações sobre as 10 UTIs que teriam sido garantidas anteontem pela prefeita Suéllen Rosim, conforme o JC noticiou.

LOTAÇÃO MÁXIMA

A reportagem do JC teve acesso a um documento datado desta quarta-feira (13) em que a diretoria do HE comunicava ao Estado a lotação máxima de todo o hospital. Além disso, ainda informava a existência de uma fila de espera por vagas, onde 12 pessoas com suspeita ou confirmação de coronavírus aguardavam por cinco leitos de UTI e sete de enfermaria.

Questionada sobre isso, a diretora do DRS-6 alega que, durante o dia, pode ocorrer um acúmulo da demanda por vagas e formam esses "picos", mas que essas pessoas já foram atendidas e encaminhadas para unidades da região. Até as 18h de ontem, ninguém aguardava por vagas de internação Covid em Bauru, segundo Doroti Vieira.

MAIS GRAVES

Ao considerar o momento "caótico", a gestora faz um apelo para que as pessoas fiquem em casa e deem muita atenção aos métodos de prevenção à Covid-19. "Não estamos mais falando sobre o medo de pegar a doença. Estamos falando sobre falta de leitos, sobre não termos mais vagas nos hospitais para atender os doentes", diz, em tom de alerta.

Além disso, ela indica que o perfil dos pacientes que estão necessitando de atendimento nesta segunda onda de casos de coronavírus se difere da primeira alta, registrada entre agosto e setembro do ano passado. "Agora, os pacientes estão com quadros mais graves, e muitos deles estão apresentando insuficiência renal. Por isso, estão precisando de diálise, o que também está sobrecarregando o Hospital de Base (HB), que acumula esses pacientes e os que já eram tratados semanalmente ali", observa.

Por isso, o alerta sobre a ocupação hospitalar também inclui o Base (HB) (leia mais abaixo), pois quase todas as demandas de saúde do município e da região - que não seja o tratamento de pacientes com Covid-19 - estão centralizadas na unidade. Com isso, até ontem, as 28 vagas de UTI do local estavam ocupadas e boa parte das 148 de enfermaria também, segundo a diretora do DRS-6. Ela, porém, diz não ter informações sobre a possível abertura de 10 novos leitos de internação no HB, conforme a prefeita Suéllen também teria sido informada pelo Estado.

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