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Bons líderes usam óculos

Juliana Valentim
| Tempo de leitura: 2 min

Ah, meu caro Saramago, talvez você soubesse o que aconteceria à humanidade quando escreveu seu Ensaio Sobre a Cegueira. Talvez o tenha feito com ares de premonição. Esperamos, respeitosamente, que não! Mas andamos todos míopes. Uma pergunta comum entre profissionais em ascensão de carreira é: serei um bom líder? Nem sempre é fácil encarar a resposta.

A pandemia expôs fragilidades. Fez com que gestores despreparados, até então pouco notados, despontassem em sua incapacidade. Ao mesmo tempo, os bons chefes se tornaram absolutamente indispensáveis. Talvez o que separe os dois seja nada além de algo simples e fundamental para as organizações: humanidade. Ingrediente que não se encontra nos livros, nos títulos conquistados, tampouco nos cursos que tenham sido feitos. A humanidade é rara.

Quando as coisas ficam obscuras e ninguém consegue enxergar além, há aqueles que fecham os olhos, calçam as sandálias de Pilatos e preferem não ver o tamanho do caos. Mas não é para isso que os líderes foram feitos, não!

Os bons gestores, essenciais no mercado, colocam óculos! E, mesmo que a vista embace pela névoa da incerteza, usam as lentes de aumento que carregam no bolso da vida, para ver melhor. Um artigo recentemente publicado na Harvard Business Review constatou que as gestoras mulheres se saíram melhor durante a pandemia do que os homens. Talvez porque as mulheres estejam mais acostumadas a buscar seus óculos no fundo da alma, talvez porque tenham menos medo de pedir ajuda quando não enxergam bem. Ser humano nas relações de trabalho, especialmente em momentos de crise, é abraçar a própria vulnerabilidade. E remar com ela.

Bertolt Brecht escreveu: "Há aqueles que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam por muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam por toda a vida, estes são os imprescindíveis.".

Usem seus óculos, líderes!

 A autora é jornalista e escritora.

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