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Saldo da poupança em Bauru cresce 130% na última década


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A movimentação da caderneta de poupança indica que, mesmo diante da perda de atrativo da operação financeira, que tem a pior rentabilidade em 18 anos, o bauruense ainda poupa pelo meio mais conservador. A poupança, que completou 160 anos no último dia 12 de janeiro, cresceu, em Bauru, 130% na última década.

Estatísticas do Banco Central apontam que, em 2010, o saldo de depósitos era de R$ 1.610.140.497,00. Já 2020 encerrou com um montante de R$ 2.440.710.207,00. Na comparação com o ano anterior, que terminou com o saldo R$ 2.114.519.497,00, houve alta de 15%. A curva ascendente acompanha o cenário nacional, no ano em que os depósitos bateram recorde em toda a sua série histórica, desde 1995.

Captação recorde em um momento de retração na atividade econômica pode ser explicada, de acordo com o economista Ricardo Cafeo, pela injeção de recursos na conta do brasileiro pelo auxílio emergencial do governo federal. Isso porque parte dos beneficiários que, mesmo com o auxílio, continuou a trabalhar, optou por poupar para contar com esse montante no futuro. "Teve quem reformou o imóvel, teve quem pagou contas, comprou um eletrodoméstico. Mas teve também quem migrou parte desse benefício para a poupança", disse o economista.

Outro cenário é das pessoas que não perderam o emprego, mas que por conta do isolamento social deixaram de consumir supérfluos. São consumidores que não viajaram, viram sua fatura do cartão de crédito reduzir e começaram a guardar dinheiro.

Ainda é cedo para saber se a poupança seguirá, neste ano, como a "queridinha" dos investimentos. O fim do auxílio emergencial é uma das preocupações dos economistas, já que assim como uma parcela dos beneficiários conseguiu guardar ao menos uma pequena parte do dinheiro, o temor, agora, é com a retirada para suprir necessidades básicas ou pagar contas.

"Em nível local, isso pode ser compensado pelo comportamento da classe média. Esta, sim, pode movimentar a caderneta de poupança, mas isso seguirá dependendo do planejamento da família. De qualquer forma, o primeiro trimestre será um período difícil para poupar", analisa Reinaldo Cafeo.

ENTRE GERAÇÕES

Em muitas famílias brasileiras, abrir uma caderneta de poupança é uma tradição que passa por gerações. Os pais da jornalista Silvia Rossetto, por exemplo, foram até o banco iniciar o investimento para a filha ainda na sua infância, em um período de inflação galopante. Anos depois, Silvia fez o mesmo para a filha Fernanda, atualmente com 13 anos.

Aos poucos, a jovem também aprende a seguir os passos da mãe. "No começo, ela tentava me convencer que podia tirar 'só um pouquinho' para comprar alguma coisa que queria muito, como um brinquedo novo. Depois passou a vibrar quando eu contava para ela o valor que ela já tinha guardado. Ela tem seu cofrinho, em que poupa para coisas mais imediatas, e tem o conceito de que futuro é mais para frente, mesmo", conta.

No tempo certo, vale mudar de investimento

A aplicação financeira mais utilizada pelos brasileiros significou, ao longo da história, importante papel para muitas pessoas alcançarem liberdades que vão muito além da questão financeira. Poucos sabem, mas ao aceitar depósitos feitos por escravos, a poupança representou, no passado, uma importante ferramenta para que, ao guardar suas economias, parte da população escravizada conseguisse "comprar" a alforria.

Mas imaginar que a poupança será o melhor investimento para a vida toda é também, na direção inversa do que se imagina, perder dinheiro. A caderneta só é viável até certo momento, já que com o passar dos anos perde a rentabilidade, por estar abaixo da inflação.

Giuseppe Hilário Neto, assessor de investimentos e economista, orienta que o próximo passo é investir em outras plataformas rentáveis, mas ainda adequadas para quem tem o perfil mais conservador quando se fala em dinheiro. São eles: CDB - Certificado de Depósito Bancário, LC - Letra de Câmbio, LCI - Letra de Crédito Imobiliário, LCA - Letra de Crédito do Agro negócio e os Títulos Públicos do Tesouro Nacional.

"[Essas operações] possuem risco soberano, ou seja, são títulos emitidos pelo governo, portanto, considerados os investimentos mais seguros do mercado. Mas é importante saber que esses investimentos não possuem uma taxa comum como a caderneta de poupança, pois dependem do banco e do prazo de investimento. É bom procurar se informar qual é o rendimento líquido e a data de vencimento. CDB e LC pagam imposto de renda sobre o rendimento, LCI e LCA são isentas, igual a caderneta de poupança", conclui.

PEQUENOS POUPADORES

Especialistas consideram a caderneta de poupança a "aplicação financeira mais recomendada para pequenos poupadores, uma vez que seu rendimento é líquido e sem Imposto de Renda", sugere o economista e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques - especialista em educação financeira, membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF).

Opinião similar tem o conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) Andrew Frank Storfer, mesmo considerando que a poupança não esteja em um de seus períodos mais rentáveis. "Hoje em dia até que não é das piores, pela baixa taxa de juros atualmente em vigor. Mas não importa. A poupança apresenta uma facilidade muito grande para se guardar reservas, quando comparada a alternativas do mercado financeiro que exigem um pouco mais de entendimento e, muitas vezes, volumes maiores de investimento", disse ele.

"Para baixos valores, a poupança é simples, isenta de Imposto de Renda, não tem taxa de performance e tem liquidez imediata caso alguém precise do dinheiro para emergências", acrescentou o executivo da Anefac.

Captação recorde em 2020

Aplicação financeira mais tradicional dos brasileiros, a caderneta de poupança tem atraído cada vez mais o interesse dos brasileiros. Em 2020, os investidores depositaram R$ 166,31 bilhões a mais do que retiraram da aplicação, informou o Banco Central (BC).

Em 2019, a captação líquida - diferença entre depósitos e retiradas - tinha ficado em R$ 13,33 bilhões. O recorde anterior tinha sido registrado em 2013, quando a aplicação financeira tinha captado R$ 71,05 bilhões. Apenas em dezembro de 2020, os brasileiros depositaram R$ 20,61 bilhões a mais do que sacaram da poupança. Tradicionalmente, os brasileiros depositam mais na caderneta em dezembro, por causa do pagamento da segunda metade do décimo terceiro salário.

Nos dois primeiros meses da pandemia, as turbulências no mercado financeiro fizeram investidores migrar para a caderneta. As oscilações do Tesouro Direto também ajudaram a atrair investidores para a segurança da caderneta, mesmo o rendimento sendo menor. Com rendimento de 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia), a poupança atraiu mais recursos mesmo com os juros básicos nos menores níveis da história e com a aplicação perdendo para a inflação. Em 2020, a aplicação rendeu 2,11%, segundo o Banco Central.

No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor-15, que funciona como prévia da inflação oficial, atingiu 4,23%. Para 2021, o boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada pelo BC, prevê inflação oficial de 3,32% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Com a atual fórmula, a poupança renderá apenas 1,4% nos próximos 12 meses, caso a Selic de 2% ao ano fique em vigor ao longo de todo o ano.

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