Em um clima tenso, marcado por cobranças por parte das entidades representativas dos professores quanto à volta às aulas mesmo em meio à fase vermelha do Plano São Paulo, a Prefeitura de Bauru anunciou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (22), que a retomada das atividades presenciais nas escolas municipais para crianças acima de 2 anos ocorrerá a partir do dia 22 de fevereiro. Porém, o poder público não descarta a possibilidade de recuar, caso não haja condições - inclusive, epidemiológicas. O município também começou a vistoriar as unidades e, das 66 escolas de ensino infantil, só 35 já passaram por fiscalização. Deste montante, apenas 40% independem de qualquer tipo de ajuste.
Além da prefeita Suéllen Rosim, participaram da coletiva os secretários Gustavo Bugalho (Negócios Jurídicos), Maria Kobayashi (Educação) e Orlando Costa Dias (Saúde). Na ocasião, a chefe do Executivo municipal reforçou os seus principais motivos para publicar o decreto, na última quinta-feira (21), com a regulamentação para a volta às aulas presenciais. "A pandemia continua entre nós e, como já sabemos sobre os cuidados necessários para nos prevenir, a nossa vida precisa voltar ao normal", argumenta.
A prefeita também levou em consideração o desempenho dos alunos. "Nós precisamos que as crianças voltem, pelo menos, a ser inseridas, aos poucos, no ambiente escolar para que elas se lembrem de que precisam da educação", defende.
Entretanto, Suéllen reforça que nem todas as escolas terão condições de retomar a partir do próximo dia 22. Das 35 unidades vistoriadas, apenas 40% estão aptas e 30% precisam de pequenos ajustes, que serão feitos até o início do ano letivo. Outras 30% deverão levar um tempo maior para abrir as portas. "Nós trabalhamos para conseguir acertar tudo em tempo recorde", garante.
No meio da coletiva, a prefeita foi interrompida por um representante dos professores, que a questionou sobre a retomada das atividades presenciais nas escolas mesmo diante do fato de Bauru estar na fase vermelha do Plano São Paulo, considerada a mais restritiva de todas, na qual só funcionam os serviços essenciais.
O docente também alegou que a prefeitura não recebeu qualquer entidade de classe antes de tomar tal decisão. Suéllen, por sua vez, deixou claro que ouviu professores e diretores sobre o assunto. "As crianças estão em todos os lugares, menos nas escolas. Nós não podemos olhar só um lado", acrescenta a prefeita.
MERENDA
Titular da Secretaria Municipal de Saúde, Orlando Costa Dias ressalta a importância das unidades de ensino na vida de muitas crianças. "Lá, os alunos também recebem alimentação e, por isso, as mães imploram para a retomada das aulas", diz.
Já a secretária de Educação, Maria Kobayashi, informa que as escolas municipais terão um regramento específico para cada faixa etária, que ainda será publicado. "As crianças não voltarão todos os dias, mas participarão de um escalonamento para preservar a saúde de todos", pontua.
Ainda segundo ela, as escolas deverão adquirir os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários através do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
O ensino remoto ficará mantido e a participação de até 35% dos alunos nas aulas presenciais não será obrigatória. Os estudantes com comorbidades deverão seguir a distância.
Já a retomada nas escolas estaduais mudou do dia 1 para 8 de fevereiro, conforme o anúncio feito pelo governador João Doria nesta sexta-feira (22). Na ocasião, ele também suspendeu a obrigatoriedade da presença dos alunos nas salas de aula enquanto o Estado estiver nas fases laranja ou vermelha (leia mais na página 16). A mudança não afetará o comportamento das escolas municipais.
O retorno dos colégios particulares, por sua vez, ficará a critério de cada escola.