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'Pode receber a vacina sem medo'


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Envolvida em questionamentos e polêmicas, a vacinação contra Covid-19 ainda gera dúvidas na população. No Brasil, a Coronavac largou na frente e já imunizou milhares de pessoas, incluindo muitos profissionais de saúde que enfrentam a pandemia em Bauru.

Mesmo assim, ainda há incertezas sobre a vacina na cabeça das pessoas. Uma delas é se o indivíduo que tem o vírus incubado no organismo pode desenvolver a doença após receber a dose. "Não temos indício de que a vacina vá aumentar ou potencializar a presença da doença. Então, pode receber a vacina sem nenhum medo", esclarece a médica infectologista Geovana Momo Nogueira de Lima, do Hospital de Base de Bauru, unidade sob gestão da Famesp.

A seguir, ela fala sobre este e vários outros pontos da Coronavac. Confira:

A nossa realidade no momento é a Coronavac (vacina de vírus inativado). Qual o grande mérito dela?

Geovana de Lima - O grande desafio da vacina é diminuir a procura por atendimento médico e, com isso, diminuir o número de internações. O grande público-alvo nesse momento da campanha é o profissional de saúde.

Pode nos explicar a relação dos prazos preconizados entre a primeira e a segunda dose da Coronavac e o impacto disso na eficácia da vacinação? Se faltar vacina para a segunda dose, o resultado da imunização será prejudicado?

Geovana de Lima - Vai receber a primeira dose. Passados 14 dias, vai receber a segunda dose e, a partir disso, tem um período para que se desenvolva a imunidade. Então, não é apenas receber uma dose ou a segunda dose que a gente já vai estar imune à Covid-19. Por isso, agora, mesmo quem está recebendo a vacina, ainda precisa manter as precauções de biossegurança, como uso da máscara, higienização das mãos e o distanciamento social. Neste momento, pelo Plano Nacional de Imunização, não há como faltar a segunda dose. Então, já está previsto quem vai receber. A vacina vai ser nominal, já previsto para receber a segunda dose. E todo esquema vacinal, seja da Covid-19 ou de outras vacinas, é necessário receber o número de doses adequado para se ter uma imunidade completa.

Quem estiver com o vírus no organismo ainda sem manifestação pode desenvolver a doença após a vacinação?

Geovana de Lima - A pessoa que for receber a vacina e que está assintomática ou está naquele período de incubação pode, sim, ser vacinada. E nós não temos indício de que a vacina vá aumentar ou potencializar a presença da doença. Então, pode receber a vacina sem nenhum medo.

E as vacinas para a Covid-19 vão fornecer proteção de longo prazo?

Geovana de Lima - Nós ainda não temos esta resposta. O que foi liberado são essas 6 milhões de doses da Coronavac para o Brasil e precisa acabar de mostrar os resultados dos estudos, que ainda estão em andamento. Nesse momento, o que nós temos é que essa vacina que está disponível é segura. Quando a gente compara o risco e o benefício, é muito mais benéfico tomar a vacina do que não tomar. Então, essas outras questões ainda vão ser respondidas de acordo com os estudos que estão em andamento.

Em qual prazo, em média, a vacinação poderia interromper a pandemia?

Geovana de Lima - Esse prazo vai depender do número de pessoas imunizadas. Como a eficácia global da vacina é em torno de 50,4%, nós precisamos imunizar um número muito grande para, depois disso, a gente pensar em desacelerar a pandemia que estamos vivendo.

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