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Saúde teme que sensação de segurança com vacina afrouxe ações de prevenção

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Quase nove meses após o registro do primeiro caso de Covid-19 em Bauru, o município finalmente pôde iniciar, nesta última semana, a campanha de vacinação contra o novo coronavírus. A sensação de segurança proporcionada pela imunização, contudo, traz uma preocupação para as autoridades: há o risco de a população afrouxar as medidas de prevenção, o que pode agravar, ainda mais, os indicadores relacionados à pandemia, que já matou 338 pessoas na cidade e deixou mais de 24 mil moradores contaminados.

"Existe uma grande preocupação, sim, porque, desde o final do ano passado, parece que as pessoas esqueceram que o vírus está circulando. Por consequência, todas as aglomerações nos levaram a esta situação que estamos enfrentando agora. As pessoas precisam entender que não é hora de relaxar nos cuidados", destaca o vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias.

Conforme especialistas ouvidos pelo JC, a expectativa é de que Bauru, em consonância com o País, só estabeleça o controle da pandemia entre o final deste ano e início de 2022. Até lá, todas as medidas como distanciamento, uso de máscara e álcool em gel devem ser mantidas.

Elas se tornam, inclusive, ainda mais relevantes neste momento, em que os leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19 estão no limite de ocupação. Além disso, manter o vírus em intensa circulação aumenta o risco de ele sofrer mutações que, eventualmente, possam não ser cobertas pelas vacinas desenvolvidas até agora.

HORIZONTE

Médico infectologista do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Carlos Magno Fortaleza explica que, com o início da vacinação, o recuo da pandemia não ocorrerá de forma automática. A expectativa é de que o volume de infectados comece a diminuir a partir de maio, mas ainda levará tempo para que as pessoas possam voltar a ter vida normal.

"Mesmo os EUA, que têm uma proposta de vacinação muito mais ambiciosa do que a do Brasil, esperam controlar a pandemia em 300 dias. E este período de dez meses também é o nosso horizonte", acrescenta.

A mesma análise é feita pelo infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, que espera que o índice recomendado pela OMS para controle da pandemia - de imunização entre 65% e 70% da população - seja alcançado só no final do segundo semestre de 2021 ou início do ano que vem. "Infelizmente, por conta de todos os problemas que tivemos em termos de gestão, o Brasil vai depender de sobras de vacina, quando os países que se anteciparam encerrarem suas campanhas. Só teremos imunização em larga escala, com regularidade no fornecimento, do meio do ano em diante", comenta ele, que trabalha em hospitais da rede pública e privada de Bauru.

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