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Temos vacina?

Antonio Tuccilio
| Tempo de leitura: 2 min

A Covid-19 já levou a vida de mais de 210 mil brasileiros. No mundo, já são mais de 2 milhões de pessoas. O Brasil representa cerca de 2,3% da população mundial, mas participa com 10% das mortes pelo novo coronavírus. Esse é só um item do retrato dramático da gestão da saúde no País, em que pese o trabalho abnegado e absolutamente heroico de profissionais nos hospitais, clínicas, unidades básicas, transporte. Essa estatística entristece. Infelizmente, seria muito esperar resultado diferente. A crise é histórica e invade outros setores. Faltam investimentos. Sobram aproveitadores.

Chega até a ser cômica (para não dizer trágica) a ânsia dos políticos em aproveitar as boas notícias - cada vez mais raras - para auferir ganhos pessoais. Sempre pensando na próxima eleição. A politização da vacina, por exemplo, é uma daquelas situações que envergonham e entristecem, sabendo que enquanto há briga por sua paternidade, há pessoas morrendo sem oxigênio no Amazonas.

No mundo todos vemos relatos de países unidos em torno de estratégias de combate à Covid-19 e pela imunização. Bem ou mal, os dirigentes trabalham para cumprir o que prometeram nas campanhas e o que espera a população. Não sejamos ingênuos a ponto de não saber que lá, assim como aqui, há problemas. Mas o que nos chega é um movimento quase sempre uniforme, em que situação e oposição querem resolver o problema comum.

País de extremo potencial e condições de ser um gigante, o Brasil sempre se perde nas vaidades e falta de estratégia nacional. No caso das vacinas, esse espectro se escancara. Campanhas e críticas feitas contra China e Índia nos últimos anos viram-se agora contra nós. E o Brasil fica na fila para receber as vacinas e os imunizantes para fabricação local. Mais uma vez, o prejuízo recai sobre as pessoas. De Norte a Sul do país, aumentam os casos do novo coronavírus e faltam estrutura, pessoas, equipamentos e produtos - inclusive os básicos - para fazer o mínimo. Como sempre acontece, os menos privilegiados são os mais prejudicados. Até quando?

O autor é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP).

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