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Bárbaros bardos

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 1 min

Vamos refletir para não regredir, ou procurar fazer digressão sem agressão.

Propalada inicialmente apenas como fanfarronice, as ações criminosas de Donald Trump resultaram na tentativa de golpe nos Estados Unidos, que estão virando uma republiqueta hamburgueira. Se continuarmos a considerar assim os impropérios do ogro imitador que ocupa o Palácio do Planalto, estaremos caminhando a passos largos para uma ditadura ou autogolpe. Nos EUA, os democratas responderam à altura, abrindo mais um pedido de afastamento do presidente. O conivente Parlamento brasileiro nada fez com a meia centena de pedidos de impeachment e pagamos um preço alto por essa conivência: milhões na forma de emendas e fisiologismo político.

Os resultados para as presidências do Congresso Nacional mostram os onipresentes ganhos do Centrão. Covardia e incompetência determinam os poderes da República. Resta ao presidente se aproveitar dessas fragilidades para lá se manter. Parodiando Léon Tolstoi, todos os políticos felizes se parecem, cada povo infeliz é infeliz à sua maneira.

No meio da discussão da tentativa de golpe lá no Norte, o colunista Hélio Schwartsman revelou a presença e leitura de um Shakespeare desapaixonado naquele país que está servindo de atalho dos gregos para os norte-americanos, ou seja, o conhecimento helênico pouco mudou nas palavras do Bardo para ser mais conhecido na terra do Tio Sam. O império dos gringos triunfa porque soube ser o herdeiro dos romanos, dominando e conquistando, mas não destruindo a cultura e, sim, absorvendo-a.

Uma olhada para outros colunistas que tratam das canções dos Beatles absorvidas na América do Norte dá um pouco dessa dimensão no âmbito musical também. Certíssimos estavam os modernistas e a antropofagia cultural brasileira, hoje transformados em pó pela destruição advinda do Planalto.

O autor é pesquisador da Unesp - adilson.goncalves@unesp.br

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