Economia & Negócios

Exportar é viável para pequenos, mas exige apoio e investimento

Marília Miragaia
| Tempo de leitura: 3 min

Sem a cultura de exportar, pequenos negócios costumam ser atraídos por essa possibilidade em momentos de câmbio alto, favoráveis à venda no mercado externo. Pode ser uma boa oportunidade, mas o empresário precisa investir tempo e dinheiro para dominar a burocracia e adaptar produtos.

Foi o que fez Alexandre Ferreira, 30 anos, dono da Aguimar Ferreira Bombons Finos, de Brasília, que há seis meses negocia seu primeiro contrato internacional: a venda de alfajores para o México. Caso se concretize, 240 mil unidades serão enviadas, com faturamento de R$ 1 milhão.

Alexandre foi contatado por meio de uma plataforma que reúne compradores e empresas de diferentes partes do mundo, a Connect Americas, e fez videoconferências para apresentar seu produto. Com o orçamento aprovado, ele vai mandar amostras em março, mas antes precisou desenvolver embalagens próprias para a exportação, com um código de barras específico e tradução para o espanhol. "Não adianta fazer uma tradução informal, é preciso entender como cada ingrediente é conhecido na cultura daquele país" diz ele.

A complexidade de exportar - que envolve a comunicação em outra língua, logística, processos de alfândega e de recebimento em moeda estrangeira - inibe o pequeno empresário de pensar em vender para o mercado externo, diz César Rissete, gerente de competitividade do Sebrae.

Por isso, ele deve recorrer a programas de apoio, como os oferecidos pelo Sebrae e pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Segundo a Apex, em 2020 cerca de um terço das empresas exportadoras foram micro e pequenas. Esses negócios estão concentrados nas regiões Sul (31%) e Sudeste (56%) - só o Estado de São Paulo responde por 40% delas.

Gratuito, o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex) é oferecido pela agência em parceria com universidades e centros de pesquisa - há também uma versão online.

A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), entidade credenciada para atender empresários das regiões metropolitanas de São Paulo e São José dos Campos, está com o processo de seleção aberto e deve auxiliar 450 negócios de diferentes portes até 2023.

O programa pode durar de um até cerca de seis meses, dependendo da disponibilidade do empresário e do grau de maturação da empresa, afirma Miriam Pires Vale, coordenadora do Peiex na Fecap.

Os participantes recebem acompanhamento de um técnico, que auxilia a desenvolver um plano de exportação, e também aprendem sobre alguns dos principais gargalos do mercado externo, como logística, precificação, contratos e marketing internacional.

Antes de se inscrever, a empresa deve observar se está com as finanças em dia, se tem capacidade de produção e se dispõe de recursos e tempo. Depois de participar do Peiex no ano passado, a empresária Maria Vitória Ferreira Bergamasco, 40, dona de um negócio que faz caldo e picolé de cana-de-açúcar em Sorocaba (SP), começou a se estruturar para exportar em 2021, mirando o Chile e a Argentina.

A empresária afirma que inseriu o projeto de exportação dentro do planejamento de longo prazo da empresa, chamada The Cana. "A marca não tinha site, então, quando fui encomendá-lo, aproveitei para também termos conteúdo em inglês e espanhol", diz. Ela ainda está criando uma fórmula de caldo mais durável, já que produtos alimentícios devem ter validade de ao menos seis meses para a América do Sul e de um ano para as demais regiões do mundo.

O ideal é pensar no mercado externo desde a estruturação da companhia. "Quando um cliente de fora faz uma compra, ele quer um fornecedor. Então, o empresário tem que ter um planejamento para exportar independente do câmbio", diz Rissete, do Sebrae.

 

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