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Distribuição de cestas despenca e, sem verba, município pede doações

VINICIUS LOUSADA
| Tempo de leitura: 3 min

É dramática a situação de quem depende do respaldo do poder público para uma das mais básicas necessidades humanas: se alimentar. São escassos os recursos já destinados para a aquisição de cestas básicas e se faz mais do que nunca crucial a mobilização da sociedade organizada para repor os estoques do Fundo Social de Solidariedade. As consequências já foram sentidas em janeiro, quando apenas 1.401 cestas foram disponibilizadas pela Prefeitura de Bauru.

No último trimestre de 2020, as quantidades foram significativamente superiores: 5.528 em outubro; 5.265 em novembro; e 4.546 em dezembro.

São contabilizadas as cestas compradas pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), as entregues por organizações sociais conveniadas que prestam serviços assistenciais e as recebidas como doações ao Fundo de Solidariedade (confira no quadro).

ALTA DEMANDA

A queda no número de cestas não está relacionada à redução de demanda. Afinal, chegou ao fim o auxílio emergencial pago pela governo federal a cidadãos em situação de vulnerabilidade e a recuperação da economia ainda é lenta.

Em janeiro, pendências burocráticas na reestruturação do Fundo de Solidariedade, decorrente da troca de governo, na renovação anual dos contratos com as instituições conveniadas e na liberação do orçamento do ano para o empenho de novas compras de alimentos agravaram o quadro.

Munícipes que se dirigiram aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) em busca de cestas foram orientados a retornar em 15 dias até que esses ajustes fossem concretizados.

SEM RECURSOS

O problema é que a fome tem pressa e o maior desafio para garantir a assistência a quem precisa tem como maior inimigo a falta de recursos financeiros.

Em 2020, os municípios e estados, incluindo Bauru, receberam verbas da União que serviram como socorro para suprir a arrecadação perdida em decorrência dos impactos da pandemia na economia.

Parte do dinheiro veio carimbada para a Saúde e para a Assistência Social. Esses recursos, combinados com grandes doações de cestas básicas no ápice da primeira onda da crise humanitária no ano passado, propiciaram grande oferta de cestas básicas. Só no mês de maio, por exemplo, foram mais de 14 mil entregues. O cenário, agora, é diferente.

INCREMENTOS

Reconhecendo a necessidade e a urgência da pauta, a secretária municipal do Bem-Estar Social, Ana Salles, informa que a pasta trabalha para verificar possibilidade de incrementos e ajustes financeiros, com o intuito de ampliar a aquisição dos alimentos para o atendimento da população na pandemia.

No entanto, para o mês de fevereiro, estarão disponíveis, a partir de terça-feira (9), 630 cestas compradas pela Sebes e cerca de 800, pelas organizações sociais. Se não for revelante o número de doações, o baixo patamar de janeiro se repetirá.

Para depois deste mês, está em processo de empenho de recursos a aquisição de mais 1.206 cestas básicas pela prefeitura, o que garantiria apenas a mesma quantidade comprada diretamente pela Sebes para este mês. A partir disso, mais incertezas.

"Estamos empenhados em buscar alternativas possíveis", ressalta a gestora, que aposta também na solidariedade dos bauruenses, pois considera imprescindível a parceria com entre os grupos solidários e o Fundo Social.

R$ 150 MIL

Ana Salles pontua que a Sebes conta ainda com resíduos financeiros do ano passado, que totalizam R$ 150 mil.

Ainda assim, caso o dinheiro seja revertido em compras de cestas básicas, o quantitativo possível seria de 1.250, pois a unidade é adquirida por R$ 120,00 pela prefeitura.

Dentro das alternativas em estudo na pasta, é cotada a possibilidade de assistência por meio de cartões, como já ocorre com o vale-merenda.

Ainda assim, para que a estratégia tenha alcance diante da grande demanda, é inevitável a alocação de mais recursos financeiros à ação.

SERVIÇO

Para quem se interessar em ajudar com doações, a Sebes atende pelo telefone (14) 3227-3510 e 3227-8624. Já o número do Fundo Social de Solidariedade é o (14) 3235-1021.

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