Como eu sou idoso e vulnerável, segundo JB, meu lembro da minha avó Carminda Ribeiro Alves, portuguesa, excelente cozinheira e dona de casa de primeira linha, que fazia uma bacalhoada de muita qualidade
Eu, meu irmão e minha irmã fomos educados por ela e minha mãe. Meu pai faleceu quando eu tinha 5 anos e minha mãe foi à luta para nos manter e minha avó nos ensinava a passar o pano para tirar o pó e a sujeira.
Deixar a casa em ordem, limpa, ali na Gérson França. Minha avó não se daria bem hoje em dia, vendo tanta sujeira, corrupção, safadeza, vendo uma parcela da população anestesiada no sofá, esperando a vacina e outra em transe coletivo ao apoiar os políticos passadores de pano, que transformaram isso em capitanias hereditárias, o centrão está aí e não me deixa mentir.
Minha avó não aceitaria um país subdesenvolvido. Vamos ao título desta carta, a gíria "passar o pano" significa "limpar a sujeira" de alguém ou defender uma pessoa que cometeu ou comete erros... e como comete!
A expressão é muito usada hoje, a escritora Maíra Azevedo afirma que "passar o pano" nasceu do preconceito racial e social contra a empregada doméstica. "Passar o pano", para a escritora, é classista, elitista e racista. Segundo o Manual de Higienização e Limpeza do CONASS, é o processo de limpeza diária de todas as áreas críticas do ambiente.
Posto isso, façam o jogo senhores...
Mas vamos sair dessa barbárie.
Hoje o "passar o pano" é usado pela mídia dentro de outro sentido, infelizmente.
Qualquer jornalista político, esportivo, econômico e social "passa o pano"
O autor é professor e diretor de teatro.