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Brasil completa 1 ano do primeiro caso de Covid


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Doze meses após o registro do primeiro caso da Covid-19, em 25 de fevereiro de 2020, o Brasil superou nesta quarta-feira (24) a marca de 250 mil mortos e vive a pior fase da doença, com avanço rápido, recorde de óbitos e vacinação lenta. Especialistas afirmam que a pandemia continua sem controle no País.

Até as 20h desta quinta-feira, foram 250.079 óbitos, conforme levantamento do consórcio de imprensa. Em 24 horas, houve mais 1.433. Desde o dia 21 de janeiro, o País apresenta média de mais de mil mortes, o que significa 34 dias consecutivos, período mais longo com esse patamar alto desde o início da crise - o marco anterior era de 31 dias, entre 3 de julho e 2 de agosto de 2020. Ao contrário da Europa, que teve claramente uma primeira e uma segunda ondas, o número de novas infecções e óbitos nunca arrefeceu no Brasil. E hoje a curva de casos e mortes é ascendente.

A gravidade espelhada pelos dados estatísticos ganha contornos reais quando se observa que nos primeiros 54 dias do ano no Amazonas o número de mortes por Covid-19 já ultrapassou o total do ano passado - 5.288 só neste ano. No Rio Grande do Sul, as UTIs dos cinco maiores hospitais de Porto Alegre não têm mais vagas e nos 299 hospitais do Estado o porcentual de ocupação de vagas nas UTIs é de 87%. São Paulo, que detectou o primeiro caso e responde pelo maior número de registros desde o início.

E mais: segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já identificou novas cepas em exames de 204 pacientes, número também recorde. São 20 casos da variante do Reino Unido e 184 da brasileira, originária no Amazonas, mas já presente em 17 Estados até 20 de fevereiro.

Para a microbiologista Natália Pasternak, os números mostram que o Brasil aprendeu pouco. "Enquanto o mundo inteiro juntou conhecimento sobre o vírus e a transmissão da doença, estamos num ritmo de proliferação acelerado. Grande parte da população nega a gravidade da pandemia e a própria pandemia. Aglomerações em bares, restaurantes e festas oferecem condições propícias para o vírus. Esses 250 mil são um símbolo da nossa incapacidade de gerir a pandemia", afirma a presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC).

O sentimento é compartilhado por Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). "Diferentemente de outros países, a gente não tem o comando central federal para tentar uma guinada no tratamento da doença. A gente continua na mesma caminhada e, por isso, não temos como chegar a um lugar diferente", alerta.

VACINAÇÃO LENTA

A urgente vacinação de toda a população é vista como a única estratégia para começar a mudar esse cenário. É o que indicam as experiências de outros países, como Israel, onde casos e hospitalizações caíram drasticamente em apenas algumas semanas entre os vacinados com a primeira dose. Nos Estados Unidos, mais de 61 milhões de pessoas foram imunizadas, cerca de 13% da população elegível. Com isso, o país registrou queda de 44% na média móvel de novos casos e de 35% na média de mortes, conforme monitoramento do The New York Times.

No Brasil, o atraso nas compras de vacina, insumos e no registro dos produtos, além da falta de uma coordenação nacional de logística, preocupam os especialistas. "É como se o País, mesmo sendo um grande produtor agrícola, estivesse passando fome", compara Rodrigo Stabeli, pesquisador da Fiocruz e professor de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), referindo-se à grande capacidade de vacinação.

Comparando a velocidade de imunização, Casaca avalia que o País fica para trás na comparação do porcentual da população vacinada. "Em termos de imunização absoluta, o Brasil está abaixo de países como EUA, Reino Unido e Índia, mas acima de referências como Israel. Por outro lado, quando analisamos os dados relativos ao porcentual da população imunizada em cada país, os números do Brasil são ainda bastante tímidos e preocupantes. No cenário de cobertura vacinal, o País é um dos últimos nessa corrida."

Para recuperar terreno, Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, avalia que as próximas semanas devem ser focadas em estabelecer acordos relevantes para aquisição de vacinas. "A gente precisa conseguir maior número de doses."

Diante da escassez de vacinas e do aumento de casos e mortes, prefeitos e governadores estão adotando medidas mais restritivas. Hoje, quatro Estados adotam o toque de recolher (Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná). São Paulo adotará maior restrição a partir desta sexta-feira. Dentro do Estado, cidades como São Bernardo já adotaram toque de recolher e lockdown (Araraquara).

Os especialistas concordam com as medidas de restrição. "Se a gente não tomar decisões duras ainda no mês de fevereiro, teremos um péssimo mês de março", diz Carlos Lula, presidente do Conass. 

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