Articulistas

Exame psicológico para cargo público

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Diz o ditado popular: "de médico e louco, todos nós temos um pouco". Os testes psicológicos servem para aquilatar o grau de loucura de cada um, seu perigo ou não de conviver em sociedade. Para receber a habilitação de CNH amador, profissional, motociclista, de piloto de avião particular ou de empresas aéreas, porte de armas, ingresso em algumas empresas, além de outros exemplos, os candidatos submetem-se previamente a testes psicológicos. São avaliadas as condições para ver se a conduta satisfaz as necessidades primárias das funções. Você voaria com um piloto com distúrbios mentais? Entregaria sua frota de caminhões ou ônibus a motoristas inábeis, colocando em risco a vida de outras pessoas?

Em 1967, estreei meu diploma de técnico em contabilidade, submetendo-me a vários exames para ingressar nos escritórios da extinta Light, em São Paulo. Entregaria uma arma na mão de um vigilante reconhecidamente psicopata? Que proteção ele poderia lhe dar, se surtasse? Que tal um gerente capaz de destruir sua empresa, pelas suas atitudes inadequadas? Uma vez, numa conversa com um amigo juiz de direito, empossado numa idade jovem, perguntei se reformaria algumas sentenças, com a experiência adquirida depois de alguns anos de prática (vivência)? Disse-me que "sim". E aí pensei: e os estragos nas vidas desses julgados? A minha pergunta é: por que não se testa psicologicamente os empossados em cargos públicos eleitos ou indicados? Estamos vendo algumas autoridades destituídas de um mínimo de racionalidade. Meu querido pai dizia: 'Se prender todos os que merecem ser presos, não sobrará ninguém para por o cadeado na porta'. Uma caneta tem um poder incomensurável, dependendo de quem está com ela naquele momento. Uma receita de medicamento ou atestado de óbito; uma assinatura de sentença judicial (e não faltam notícias de prisões impróprias); de prefeitos, políticos nas câmaras municipal, estadual e federal, governadores e demais autoridades em todas as esferas, que assinam de acordo com seus interesses próprios, ignorando que seus eleitores depositaram votos de confiança na sua representatividade. Aproveitadores de sua autoridade em benefício próprio, por incompetência ou até revanchismo, sem ao menos pensar nos prejudicados e suas consequências.

Errar é humano, e no próprio direito tem a prerrogativa com e sem dolo. E quem não erra? Mas ver o erro e continuar assinando tendo consciência clara da sua perpetuação, é inadmissível. Todo cidadão, democraticamente, tem direito de defesa e condenação justa, se for o caso, mas e quando há deliberadamente um ato espúrio? E a consciência, não pesa? Como dormir sossegado sabendo que centenas, milhares e milhões podem ser prejudicados? Nesse momento, convivendo com essa pandemia, daí o seu nome, pela gravidade que representa, quantas histórias macabras circulam nos meios das redes sociais, que alguns meios de comunicação deliberadamente ignoram e que tem a assinatura, mesmo que de forma digital de uma pessoa com autoridade. Não importa se a assinatura foi feita com caneta popular, ou de ouro, pois o resultado será sempre o mesmo. No país de problemas educacionais, de tamanho continental, administrar cada cidade, empresa, hospital, recursos financeiros, interesses lobistas é um desafio.

Não sejamos inocentes em acharmos que disfarçadamente por trás, essa corrida dos laboratórios pela vacina contra a Covid não tem interesse financeiro de seus acionistas e os futuros dividendos. As vacinas desenvolvidas por Sabin, Oswaldo Cruz e outros foram disponibilizadas gratuitamente por anjos que ainda existem na humanidade. Quantos conceitos iniciais sobre essa pandemia foram assinados por cientistas, que depois evoluíram e modificaram o raciocínio inicial. Mentes altruístas existem, e recebem pouco reconhecimento, mas deixam sua assinatura inquestionável na história.

O autor é colaborador de Opinião.

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