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Horário de Verão: apagado com canetada presidencial

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

"Sapo não salta por boniteza, mas por precisão". A luz de Guimarães Rosa explica a "precisão" de adoção do consagrado Horário de Verão - HV, para aproveitar a luz solar (fotoperíodo) nos dias mais longos do ano, em partes do Brasil e no Mundo. E, com isso, racionalizar geração e consumo de energia, preservar o meio ambiente, bem como praticar cidadania e civismo. No entanto, com "uma canetada", para surpresa da engenharia elétrica, em abril/19, a Presidência determinou o fim do HV. Usando "meias verdades", disse: "...as mudanças nos hábitos e rotina dos brasileiros, tais como a utilização de lâmpadas econômicas e maior uso de ar condicionado, o qual aumenta o consumo de energia no meio da tarde".

Oportuno clarear com a luz do provérbio chinês: "Meia verdade é sempre uma mentira inteira". É certo que há o deslocamento de pico de consumo. Porém, esse fato com aumento de consumo, ao invés de abolir o HV, é motivo para fundamentar a sua "precisão". Para se ter uma ideia, no HV 2011/12, na área da CPFL, a redução daria para abastecer a cidade de Bauru, por 69 dias. (Marco Villela, então Diretor da CPFL - JC-12/10/12).

Em minha vivência de três décadas no setor elétrico, em intercâmbios, pude constatar a efetividade do HV, no Brasil e no Exterior. Já no que se refere à população, ouso considerar 3 fases distintas: 1ª fase, de Resignação: No início, 3º domingo/outubro, com 12,5 h de luz natural, o relógio é adiantado 1 hora. Algumas pessoas sentem desconforto. Pode durar 2 semanas. 2ª fase, de Euforia: É a mais longa. Prevalece em mais da metade dos 126 dias do HV (novembro-meados janeiro). O seu auge é dezembro, com até 13,5 h de luz natural. 3ª fase, de Repúdio: dura 1 mês. Embora no dia que encerra o HV, 3º domingo fevereiro, ainda tenhamos quase 13h de luz natural. A rejeição fica por conta da posição do sol em relação à Terra.

Ao menos 30 países adotam-no. Nos EUA e Europa, mais de 200 dias (abril a outubro). Nos localizados na faixa equatorial não há "precisão". (Não existem estações do ano e o clima é constante). Oportuno registrar que, embora os EUA e Inglaterra tenham identificado a precisão de criar o HV, a primazia coube à Alemanha, em 1916, na primeira guerra mundial. A economia de eletricidade reduziu o consumo da principal fonte energética da época: o carvão. Foi seguida por outros países, inclusive EUA, em 1918. Nos EUA e Europa o período supera 200 dias (abril- outubro).

No Brasil, a "precisão", descrita no 1º parágrafo, fez com que o HV fosse instituído em 1931, por Getúlio Vargas. A última edição, 2018/19, foi a 45ª (34ª consecutiva, após 1985). Abrangeu apenas 10 estados e o DF. Porém, a "imprecisão" governamental, apagou o HV, por não o considerar com "precisão" e preventivo, como a cloroquina.

Por essa razão, embora estejamos concluindo a 3ª semana de fevereiro, "não temos HV para encerrar".

 O autor é executivo aposentado da CPFL. Atuou no Gabinete da Prefeitura de Bauru. É assessor de Civismo e Cidadania da Governadoria do Lions. Representa a Assenag no Conseg e no Coinfra

 

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