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Cidades com confirmação de variante relatam maior agressividade do vírus

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Salto expressivo de casos de Covid-19, maior número de jovens desenvolvendo a forma grave da doença, pacientes permanecendo por mais tempo internados. Estas são algumas mudanças notadas por autoridades de saúde de municípios do Interior do Estado, como Jaú e Araraquara, que já tiveram confirmação de circulação da variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P1.

Embora ainda não haja comprovação científica de que a nova cepa seja responsável por este cenário inédito em meio à segunda onda da pandemia, estes são indícios que precisam ser melhor compreendidos e que, em um cenário de escassez de vacinas, trazem preocupação para os municípios paulistas, incluindo Bauru. A cidade, aliás, aguarda, para os próximos dez dias a divulgação do resultado das amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz para verificação de possível presença desta variante.

O secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, já antecipou que acredita que a nova linhagem já esteja circulando em Bauru, mas ainda não há repercussões tão graves como as verificadas em outras cidades. Para se ter ideia, Araraquara - que permaneceu em lockdown durante a última semana - registrou, apenas em fevereiro, número de mortes provocadas pela doença três vezes maior que em janeiro.

Coordenadora extraordinária de ações de combate à Covid-19 da Secretaria de Saúde de Araraquara, a enfermeira sanitarista da Vigilância em Saúde Fabiana Araújo explica que, nas unidades de saúde, incluindo hospitais, também aumentou o número de pacientes com menos de 60 anos que evoluem de forma mais grave e que vão a óbito.

"A maioria tem comorbidade, geralmente obesidade de graus menores ou doenças controladas como diabetes tipo 2, algo muito diferente do que acontecia até o ano passado, em que a maioria tinha comorbidade em estágios mais avançados", pontua.

'MAIS DIFÍCIL'

Em entrevista recente concedida ao JC, a gerente administrativa da Santa Casa de Jaú, Scila Carretero, comentou que a doença começou a se manifestar de forma diversa a partir de 2021, assim como ocorreu em Araraquara.

"O volume de pacientes internados com uma forma agressiva da doença estava muito grande desde janeiro. O corpo clínico e a direção do hospital perceberam que não estávamos tratando com a mesma doença, com o mesmo vírus do ano passado", relatou. A reportagem tentou, mas não conseguiu, durante três dias, agendar entrevista com um porta-voz da secretaria de Saúde da cidade.

Segundo Fabiana Araújo, os profissionais de saúde também notaram que um contingente de pacientes passou a precisar de internação após o 13.º dia de início dos sintomas, em razão de comprometimento pulmonar - o que não ocorria antes. "Além disso, o tempo de ocupação dos leitos aumentou. No ano passado, em média, um leito de UTI ficava ocupado por 14 dias e sabemos que este período é maior agora. Está cada vez mais difícil tirar o paciente do oxigênio, devido a comprometimento pulmonar", completa.

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