Em um artigo de opinião anterior, "A cobertura vacinal e a nova Inquisição", do dia 05/12/2020, tratei da importância da vacinação para a imunidade de rebanho por meio da vacina sem forçar as pessoas, cuja importância está no Estado ser obrigado a fornecer, algo que nem isso consegue direito. Naquele artigo anterior questiono as abordagens individualistas e coletivistas inclusive no direito, afirmar que é para o bem maior até a Inquisição fez, agora temos outra situação, Bolsonaro e Doria, mas de fato querem as eleições 2022.
O parlamento é responsável pelo planejamento do Estado, cabe ao executivo aplicar o planejamento, nesse caso o executivo depende do parlamento, e com esse prisma surge o impeachment devido ao descumprimento legal. A lentidão do judiciário é conhecida por todos que dependem deste sistema, pertence a esse poder o cumprimento das leis. Infelizmente, se a lei é injusta a culpa é do parlamento que faz o planejamento. Não vou tratar dos órgãos de controle e fiscalização, quando um dos três poderes não funciona, nem de uma solução quando os três não funcionam, pois requer um debate mais amplo e transformação cultural, além de combater a "petitio principii" entre educação e política que são dependentes e a transferência de responsabilidade não gera solução. Fica uma sugestão para uma direção pelo meno - o artigo de opinião anterior: "Monarquia voltará sem revolta?" do dia 27/03/2019.
O governador Doria afirma usar a medicina e a vida. Os ataques a Bolsonaro estão mais para obscurantismo do que negacionismo, pois seu governo está relacionado a deus, militarismo e armamento, inclui uma pastora e dois pastores. O fim trágico da morte virou palanque, não cabe uma oposição entre ciências econômicas e ciências da vida. A doença social está em usar uma tragédia brasileira antecipando um ano eleitoral de 2022, o parlamento finge que não vê, nem fiscaliza, pois estão visando cargos. Marcar posição é uma estratégia simples, destaca que os políticos não veem a população como seres intelectuais e que questionam, claro que existem oportunistas, mas uma posição simplista destina-se a pessoa simples. A morte paira no ar na vontade de concorrer às eleições, a situação da pandemia vai incluir 2021 e não podemos impor a justificativa do desconhecido presente em 2020, nem soluções esdrúxulas.
O distanciamento social revela a importância da vacinação em massa, então se a proposta é evitar a transmissão do vírus, a escola deveria estar fechada. O comércio trata de pessoas adultas responsáveis que vão resolver seus problemas, sem necessitar de interação. Os professores da rede estadual podem exigir bom comportamento dos alunos com base nas "Normas Gerais de Conduta Escolar: sistema de proteção escolar", da Secretaria da Educação de SP/2009 e podem ser enquadrados na falta de boa conduta caso não sejam dóceis. Salienta-se que professor não substitui os responsáveis no que tange a proteção social, mas toda ação jurídica contra aluno destina-se aos responsáveis, cabe a decisão do juiz que analisa a ocorrência, afinal os menores não são imputáveis e ainda dependentes, nem podem utilizar transporte público sem autorização, além de aumentar o uso desses serviços.
Não cabe à escola o abre e fecha, pois existe um projeto político pedagógico que não é de aplicação comercial, além da Constituição de 1988, Art. 206, que trata da autonomia pedagógica do professor, sendo que a militarização da escola acaba no tradicional e retira o dócil, antigamente incluía castigos físicos o modelo pedagógico tradicional, sem esquecer o elitismo do ensino domiciliar desse período.
O título talvez esteja errado, pois deveria trocar a "Doença social" por "Não te suporto: o fim trágico da morte", afinal, os políticos não ganham pouco, não trabalham como deveriam e com a pandemia trabalham quando acham interessante, não existe pandemia para eles, sendo que algumas comissões não funcionam e alguns políticos não estão presos por causa da imunidade parlamentar, a exemplo da deputada federal Flordelis.
O autor é doutorando em ciências sociais, Unesp – Marília. Autor do livro: “Trabalho e globalização numa perspectiva do mundo da vida adaptado ao sistema”, editora Appris.