São Paulo - O governo paulista estuda colocar todo o Estado na fase vermelha, a mais restritiva de seu plano de abertura econômica durante a pandemia de Covid-19. A decisão final sobre o assunto ocorrerá em reunião do Comitê de Contingenciamento na manhã desta quarta (3).
Na fase vermelha, apenas os serviços essenciais estão permitidos. A tendência é sua adoção por um tempo determinado, talvez duas semanas.
O tema foi discutido pelo governador João Doria e secretários na tarde desta terça-feira (2) com mais de 500 dos 645 prefeitos paulistas, por meio de videoconferência, para testar a receptividade à ideia e ouvir sugestões. O governador acenou com aumento da imunização e 60 milhões de vacinas, em caráter de urgência, como forma de evitar o lockdown total que já está ocorrendo em outros Estados, como no Rio Grande do Sul.
MEDIDAS MAIS DURAS
O Centro de Contingência da Covid-19, comitê de 20 especialistas e autoridades que aconselham Doria na crise, debateu nesta terça outras medidas ainda mais duras.
Alguns membros do centro defendem abertamente o lockdown, a restrição total à circulação de pessoas. Mas tal medida é vista como inexequível de forma generalizada por integrantes governo paulista, ao menos num momento em que não há auxílio emergencial implantado no país.
Ela foi adotada pontualmente, contudo, como ocorreu em Araraquara.
O próprio Doria, apesar da pressão de comerciantes contra restrições, já disse que as próximas duas semanas serão as mais duras da pandemia.
LEITOS
O estado tem 73,2% de ocupação de leitos de UTI devido à Covid-19, 74,3% na Grande São Paulo. Em Campinas, a prefeitura local colocou a cidade em fase vermelha, embora sua macrorregião esteja na laranja. Cidades do área do ABC implantaram lockdowns noturnos.
Já morreram 59.546 pessoas no Estado durante a pandemia do novo coronavírus, que infectou pouco mais de 2 milhões.
Hoje, das áreas que Plano SP dividiu no estado, 6 estão em vermelho, 8 em laranja e 3, em amarelo --a etapa menos dura.
ARARAQUARA
Após pedido do Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública ajuizada contra a União, a Justiça Federal concedeu liminar para que seja restabelecido imediatamente o custeio de 30 leitos hospitalares do SUS (Sistema Único de Saúde) reservados a pacientes com Covid-19 em Araraquara, no interior paulista. A cidade está em situação crítica com um surto da nova variante do coronavírus, que tem maior potencial de disseminação.
Todos os leitos de UTI e enfermaria para tratamento da doença em unidades de saúde do município estão ocupados.