Internacional

Brasil participará de cúpula do clima

Felipe Frazão
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Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse nesta terça-feira, 2, que o presidente Jair Bolsonaro pretende participar do encontro climático com chefes de Estado e de governo organizado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em Washington. Autoridades do governo americano pressionam para que Bolsonaro participe da Cúpula da Terra, em abril, e já o haviam convidado em reuniões reservadas.

O chanceler confirmou, durante entrevista à imprensa, que o Brasil já foi convidado durante contatos de alto nível político e diplomático, embora não tenha sido enviado ainda um convite formal. Ele relatou que o enviado especial para o Clima, John Kerry, expressou durante reunião virtual a expectativa de Biden de que Bolsonaro vá ao evento. "O presidente pretende fazer parte desse esforço", disse Araújo.

MERCOSUL

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu a flexibilização de regras do Mercosul para permitir que os países do bloco negociem acordos com outras nações individualmente. Atualmente, acordos que envolvam tarifas só podem ser negociados pelo Mercosul conjuntamente.

O ministro rebateu ainda acusações de que sua gestão à frente da diplomacia brasileira é "prejudicial aos interesses nacionais", principalmente na economia, e citou, para isso, o saldo comercial que cresceu nos últimos dois anos e o ingresso de investimentos estrangeiros.

A expectativa no governo brasileiro é que no fim de março - quando está prevista uma reunião entre os presidentes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - seja anunciada a intenção de mudar a resolução que impede que os integrantes do bloco negociem acordos com outros países sem a participação de todos os membros.

O chanceler disse hoje que a flexibilização pode acelerar acordos com "todas as economias que estejam dispostas a negociar e sejam relevantes" e citou como exemplo o Japão, Índia, Vietnã e Indonésia.

Araújo disse ainda que existe uma disparidade muito grande de produtividade entre o agronegócio e a indústria brasileira e afirmou que o setor industrial foi esquecido por governos anteriores "por questões ideológicas ou falta de competência". "Perdemos sucessivos bondes negociadores e a oportunidade de encaixar o Brasil nessas cadeias", acusou.

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