O proprietário de veículo que precisar encher o tanque do veículo com gasolina irá desembolsar, em média, cerca de R$ 250,00. Nesta terça-feira (2), a Petrobras reajustou pela quinta vez neste ano o preço do combustível, que pode fazer os consumidores gastarem o equivalente a quase um quarto de salário mínimo, se abastecerem um tanque com capacidade de 50 litros.
É que, em Bauru, o litro do produto derivado de petróleo chegou à marca de R$ 5,00, pesando no bolso dos consumidores que já têm de lidar com alta de preços de diversos itens básicos. Como consequência, segundo a Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb), os postos já registram queda de consumo e, por isso, precisaram rever suas margens de lucro.
Além do preço da gasolina, a Petrobras reajustou o preço do óleo diesel pela quarta vez no ano e também o do gás de cozinha. Porém, no mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro editou um decreto e uma medida provisória para zerar as alíquotas de cobrança de impostos federais para o gás de cozinha e para o diesel (leia mais na página 17), como forma de amenizar o impacto das altas e contentar alguns setores, como o dos caminhoneiros.
No reajuste anunciado pela Petrobras, o óleo diesel teve aumento de 5% (R$ 0,13 por litro), chegando a R$ 2,71 para as distribuidoras. Já o litro da gasolina ficou R$ 0,12 mais caro (4,8%), passando a custar R$ 2,60 para venda às distribuidoras.
Nas bombas, a gasolina já estava a R$ 5,09 e o diesel, a R$ 4,19 na tarde desta terça-feira, em Bauru. Já o litro do etanol saía ao custo de R$ 3,89. Presidente da Arcomb, Edivaldo Tuschi relata que os postos de combustíveis já registram queda de consumo e, sem previsão de redução nos preços no curto prazo, há risco de demissões em massa e de fechamento dos estabelecimentos.
"O revendedor (posto) consegue sobreviver com uma margem de lucro de R$ 0,40 por litro de combustível e terá que reduzir este valor. Com margem de R$ 0,38, ele já está tendo prejuízo. Hoje, mais de 70% das vendas são feitas com cartão de crédito e o recebimento só ocorre depois de 31 dias. Quando a gente recebe, compra pouco mais da metade do que se comprava um mês atrás", detalha.
MOTIVOS
A quinta alta consecutiva da gasolina em pouco mais de dois meses é resultado da política de preços adotada pela Petrobras desde 2016. A empresa estatal de capital aberto, que domina mais de 80% da oferta de combustíveis no Brasil, repassa integralmente a variação da cotação do petróleo, que é negociado em bolsas internacionais, para a gasolina e o diesel que ela vende no País. Como a cotação é em dólar, o preço também acompanha as variações do câmbio.
Como consequência das leis de mercado, o preço do etanol também aumenta, como forma de equilibrar a demanda. Além disso, segundo Tuschi, contribuem para encarecer o biocombustível o fato de estarmos na entressafra da cana-de-açúcar e o fato de o diesel, que também sofreu elevação de preço, abastecer as máquinas colheitadeiras e os caminhões de transporte do produto.