No início da década de 70, eu e o cirurgião-dentista Reinaldo Mazzottini, o meu querido Mazoca, criamos cães da raça Dálmatas para angariar fundos capazes de suprir necessidades básicas de pacientes carentes que chegavam ao Centrinho-USP e, muitas vezes, não tinham condições nem mesmo de comprar um remédio ou pagar uma hospedagem na cidade.
A primeira dálmata foi a Florinda e de sua primeira cria nasceram três cachorrinhos, um deles ficou para o Reinaldo, que lhe deu o nome de Gastão! Mazzottini, com sua mão cirúrgica, chegou a ajudar Florinda em alguns partos difíceis para garantir a vida dos pequenos Dálmatas que, por sua vez, ajudariam a vida de pequenas crianças nascidas com fissuras labiopalatinas.
Mas essa é somente uma pequena parte da história na qual Mazzottini mergulhou de cabeça e de coração em nome de milhares de pacientes que se tratavam naquele Hospital gigante em sonhos e em propósitos.
Mais do que um irmão pra mim, Mazzottini alimentou meus sonhos, sonhou junto e arregaçou as mangas sempre que foi necessário para que as construções que levantamos se mantivessem em pé. Em dias chuvosos, quando gotejava em alguma sala do Centrinho, lá estava ele, o cirugião-dentista que, em seu espírito sempre humilde e verdadeiramente voluntário, não se furtava de subir no prédio e consertar a telha quebrada.
Enquanto eu estive em Bauru trabalhando neste projeto de vida chamado Centrinho-USP não houve um só dia em que ele não tenha me visitado. Era ombro amigo, ouvidos atentos, bom conselheiro... Esse era o Mazoca.
Um homem pronto para ajudar. Um homem honesto, direto, transparente. Quando amava ou defendia uma causa ninguém o segurava. Era braço forte. Coração mole. Sorriso sincero. Neste dia 2 de março de 2021 meu eterno amigo deixou esse plano. Deve ter mesmo muito serviço em outras partes do universo nesse momento de reforma da Terra. Mazoca, como sempre, deve usar suas ferramentas para ajudar da melhor forma: o amor e a coragem.
Por ele, meu eterno amor e minha eterna gratidão. E o amor de toda a minha família, a quem ele sempre acolheu com sua sabedoria e seu afeto. Obrigado por tanto, Mazoca!
O autor é colaborador de Opinião.