Com a estrutura atual, se a Secretaria de Administrações Regionais (Sear) capinar um ponto da cidade e voltar ao local somente depois de executar o mesmo serviço em toda a sua área de sua responsabilidade, isso ocorreria, em média, após um ano e quatro meses. A Emdurb, que atua em outras regiões do município, levaria sete meses.
É claro que esse intervalo de tempo pode ser menor porque algumas regiões da cidade são consideradas estratégias e atraem maior visibilidade ou cobranças. A alarmante projeção, porém, é feita a partir do volume de mato aparado pelos órgãos no mês de fevereiro e o território que cada um precisa cobrir.
Tanto a Sear quando a Emdurb perderam mão de obra desde o ano passado, com a privação do trabalho de reeducandos e do afastamento de funcionários decorrente da pandemia da Covid-19.
Para dimensionar o problema, áreas que foram capinadas no mês de janeiro já demandam nova execução do serviço em decorrência do período chuvoso.
MENOS GENTE
A Emdurb, por exemplo, contava com 100 pessoas para o trabalho de capinação. Agora, tem 25. A empresa é responsável por capinar 9 milhões de metros quadrados e tem conseguido executar cerca de 1,3 milhão ao mês.
Mais grave é a situação da Sear que, em fevereiro, prestou o serviço em 631 mil metros quadrados - menos da metade do que a Emdurb - mas tem a obrigação de cuidar de área ainda maior: 10 milhões de metros quadrados. Veja a divisão no mapa ao lado.
No mês passado, a pasta deslocou para a capinação 14 trabalhadores, entre servidores de carreira e temporários contratados por meio de processo seletivo ainda da gestão de Gazzetta.
Para minimizar a falta de mão de obra, em 2020 a cidade contou com a prestação do serviço por empresa privada, que contemplou 5 milhões de metros quadrados de roçada. Agora porém, não há qualquer tratativa de curto prazo que indique repetição da estratégia.
SEM SAÍDA?
A gravidade da situação, que tem implicações na segurança e na saúde pública, ampliou a dimensão da audiência pública presidida ontem (4) pelo vereador Junior Rodrigues. Em sua avaliação, o pior agravante é o fato de não haver, por parte do governo Suéllen Rosim (Patriota), qualquer resposta para alteração do cenário exposto aos parlamentares.
Outros parlamentares, como Júnior Lokadora (PP), Guilherme Berriel (MDB), Estela Almagro (PT), Julio César (PP) e Eduardo Borgo (PSL), cobraram respostas tanto de natureza operacional quanto jurídica.