Política

Markinho pediu emprego para doador de campanha, mas nega troca eleitoral

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Áudios e entrevista com citados revelam que, em reunião realizada no ano passado, durante a campanha eleitoral, dentro da Prefeitura de Bauru, o agora presidente da Câmara de Vereadores, Markinho Souza (PSDB), teria intercedido para que colaborador de sua candidatura à reeleição fosse contratado para trabalhar em empresa que presta serviço para a Secretaria de Educação. Mas o vereador nega uma troca com conotação eleitoral (leia abaixo).

O caso veio à tona após representação ao Legislativo e à Polícia Civil, de autoria de Anderson dos Santos, que foi demitido pelo parlamentar na última segunda-feira (1). Ele ocupava o cargo de chefe de gabinete desde janeiro, nomeado por Ricardo Kbelo (Republicanos), que perdeu o mandato no início de fevereiro.

Participaram da referida reunião na prefeitura, além de Markinho, Reginaldo Oliveira - o então apoiador do tucano e que buscava emprego; Aloísio Ramos - servidor público, diretor da Divisão de Vigilância da Prefeitura de Bauru; e um funcionário da empresa, cujo contrato com a administração tem Aloísio como gestor e fiscal.

Em áudio de baixa qualidade, é possível ouvir o pedido do vereador pela contratação de Reginaldo, que gravou o diálogo sobre eventuais condições de trabalho.

Tanto Reginaldo quanto Aloísio confirmaram a reunião ao JC. O próprio presidente da Câmara menciona "conversa na prefeitura" em áudio que disponibilizou anteontem, no qual fala com o ex-apoiador sobre sua "boa vontade" e a inexistência de obrigação da empresa em empregá-lo.

ÁUDIOS E GRAVAÇÕES

Junto à representação, Anderson entregou áudios de WhatsApp e gravações envolvendo Reginaldo, Markinho e o funcionário da empresa. O conteúdo aborda a participação do apoiador na campanha e as reiteradas cobranças por sua contratação, mas não há materialização da efetiva promessa do emprego em troca do apoio.

Reginaldo, porém, fala sobre o "compromisso" com o representante da terceirizada, que ressalta que o insucesso da contratação não era de responsabilidade do político. Já como presidente da Câmara, Markinho orienta Reginaldo a apresentar os documentos à empresa: "Fui lá hoje falar com eles (...) está tudo certo".

Ao parlamentar, Reginaldo diz não ter mais interessa na vaga e reclama sobre ter ficado "na mão", mesmo após pedir votos e entregar cartas na campanha. O tucano pede desculpas, diz que a contratação não dependia só dele e que não se esquecia dos amigos.

Reginaldo doou à campanha de Markinho R$ 200,00, em valores estimados, com serviços de panfletagem. Nos áudios, o vereador combina que prepararia tal carta, assinada pelo apoiador, enaltecendo os feitos de seu mandato.

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