A bem da verdade, Gilvandro tinha o apelido de Nino, e a Suely, simplesmente Su. Ambos meus irmãos e faleceram, ou mudaram de casa, como dizem os espíritas, em um prazo de duas semanas, entre janeiro e fevereiro desse ano, e da mesma enfermidade. Não, não era Covid. Nem na pior suposição imaginava fato ocorrido. Como assim? Como ficarão as reuniões de família? E aquele café da tarde no mano Nino? E aquele abraço delicioso, reconfortante, amoroso de minha irmã? Aquelas conversas jogadas fora que aconteciam amiúde? O último irmão que se foi, já há mais de 50 anos, eu era criança ainda, não lembrava mais da dor. Eu sei que o tempo é inexorável e me imporá a cortina do esquecimento, mas demandará tempo, força de vontade. Mas a ausência, essa ninguém tira.
Ambos me auxiliaram muito no decorrer da minha vida, não só da minha, como dos outros irmãos. Eram as vigas mestras da família, perdê-los na casa dos sessenta foi entristecedor, foi? Está sendo.
Sou espírita, dou 'palestras' sobre a morte, vida, reencarnação, perispírito, pluralidade das existências, e por aí vai, mas apesar de anos nesse caminho, achando que tinha um conhecimento razoável sobre o assunto e imaginando que seria diferente se fosse comigo ou com um parente, doce ilusão. Percebi minha fragilidade e muito ainda a percorrer. Nas minhas orações, peço a eles paz e que continuem na luta da evolução espiritual, que eles consigam, e nós também desvencilharmos das dores, tristezas, para que assim, eles possam seguir suas "novas" vidas. O que resta então? O aguardo egoísta de um dia sermos recebidos por eles na espiritualidade, rumo a imortalidade.
Nino e Su, sei que um dia nos reencontraremos, e esse dia me será muito caro. Amo vocês.