Washington - A entrevista de Harry e Meghan à apresentadora Oprah Winfrey causou mal-estar em Londres. Na conversa de 90 minutos, que foi transmitida pela CBS, na noite de domingo, madrugada de ontem no Reino Unido, o casal acusa a realeza de racismo. Os ataques, aos quais o Palácio de Buckingham costuma reagir com discrição, aumentaram a pressão por uma resposta para evitar um impacto ainda mais devastador para a monarquia britânica.
Na conversa com Oprah, o príncipe Harry reforçou as acusações de Meghan sobre a existência de racismo na família real. Ele confirmou que sua família havia manifestado preocupação com o tom de pele do filho, Archie, antes de seu nascimento. Meghan é filha de Doria Ragland, uma ex-maquiadora negra, e Thomas Markle, um iluminador de TV branco.
"Houve várias preocupações e conversas sobre o quão escura seria a pele dele (Archie) quando nascesse", afirmou a duquesa. "O quê?", respondeu a atônita apresentadora, após segundos de silêncio.
A preocupação com a cor da pele de Archie, segundo Meghan, foi um comentário feito a Harry. O príncipe confirmou, mas nenhum dos dois revelou quem manifestou a preocupação. "Isso seria muito prejudicial para eles", respondeu Meghan, após Oprah insistir em saber quem fez o comentário. "Essa conversa eu nunca vou compartilhar", disse.
Ao não identificarem o membro da família real, o casal colocou todos sob suspeita. Ontem, Oprah veio a público esclarecer que questionou Harry, diante das câmeras e fora delas. O príncipe, segundo a apresentadora, lhe garantiu que não havia sido nem a rainha Elizabeth II nem seu marido, o príncipe Philip, mas não deu mais detalhes.
AUDIÊNCIA ALTÍSSIMA
A CBS informou ontem que 17,1 milhões de americanos viram a entrevista, duas vezes mais do que o pico do horário nobre de domingo. Foi a maior audiência do último ano, perdendo apenas para o Super Bowl, a final do campeonato de futebol norte-americano.