Após um ano de pandemia, muito se aprendeu sobre a Covid-19. Apesar de ser uma infecção respiratória, já se sabe que, principalmente quando evolui para a forma grave, pode afetar o funcionamento de vários outros órgãos do corpo, dentre eles, os rins. Estudos apontam que mais de 20% dos pacientes com a doença desenvolvem lesões renais. Já entre os que vão para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o índice chega a 76%. Inclusive, nesta quinta-feira (11), é celebrado o Dia Mundial do Rim, data voltada para informar a população sobre como prevenir doenças renais.
De acordo com a médica nefrologista Tricya Nunes Vieira Bueloni, do Grupo São Francisco, que integra o Sistema Hapvida, os rins, juntamente com os pulmões, estão vulneráveis à ação direta do coronavírus e de citocinas inflamatórias, liberadas em grande quantidade nos casos de contaminação pelo Sars-CoV-2. "Pesquisas apontam que mais de 20% das pessoas com Covid-19 desenvolvem doença renal. Além disso, foi feito um estudo com quase 4 mil pacientes, em janeiro deste ano, que revelou lesão aguda no órgão em 46% dos hospitalizados com coronavírus, sendo que 19% deles precisaram de diálise. O percentual é muito mais significativo entre os que estão na UTI, chegando a 76% dos casos", detalha a médica, sobre um estudo desenvolvido por um grupo de pesquisadores de diversas partes do mundo.
Antes da pandemia, diabetes e hipertensão eram apontadas como as principais motivadoras de disfunções renais. Porém, atualmente, a Covid-19 também integra esse grupo. "Há dois tipos de alteração do funcionamento dos rins. Chamamos de doença renal crônica quando ocorre a perda da atividade de forma lenta e progressiva e há a necessidade de tratamento dialítico. Nesses casos, não há reversão. Existem também os quadros agudos, associados a algum evento grave infeccioso, ao uso de alguma medicação que subitamente fez o exercício dos rins se deteriorar, a uma desidratação grave, sangramentos e quedas importantes da pressão, entre outras. Aqui, se enquadra a lesão que ocorre em infectados pelo coronavírus", explica a médica.
SEQUELAS
Quando os rins apresentam problemas devido à contaminação pela Covid-19, o quadro pode ser temporário, porém, há chances de permanecer sequelas que mantenham a ação do órgão comprometida, a depender da gravidade da situação, das complicações presentes, das comorbidades associadas, principalmente nos pacientes que já apresentam alteração de função renal, diabéticos e hipertensos.
Em casos agudos, a pessoa é mantida internada para, além de tratar a infecção, evitar fatores que possam afetar ainda mais o funcionamento dos rins. O tratamento continua até que o órgão apresente sinais de recuperação. "A hemodiálise evita a sobrecarga de líquidos no corpo e nos pulmões, eliminando substâncias tóxicas que prejudicam mais o paciente e podem contribuir para a gravidade e, consequentemente, para o óbito", afirma a médica.
Por outro lado, os infectados pelo coronavírus, mesmo quando recuperam a atividade dos rins, devem ser acompanhados depois da alta hospitalar por um nefrologista. "Ainda não se sabe se alterações, como a evolução para uma doença renal crônica, podem aparecer com o tempo", finaliza a médica.