Desde que a pandemia começou muitas vidas deixaram de fluir no mesmo ritmo de antes. Festas foram canceladas, os passeios foram deixados para outros momentos, a viagem tão sonhada ainda aguarda uma data que não há previsão de quando será definida.
Alguns ficaram isolados, outros lutaram na linha de frente para suportar a onda de caos e desequilíbrio. Muitos partiram deste mundo para nunca mais voltar! Os pijamas, as roupas esportivas e o chinelo de dedo nunca fizeram tanto sucesso. A cara lavada e o cabelo despenteado marcaram longas semanas. Todo mundo perdeu alguém e o sentimento de luto é mundial.
Diziam que a tecla pause era usada para marcar um momento que precisa ser olhado com atenção, pausamos um filme para fazer outra coisa e não corrermos o risco de perder os melhores momentos. Pausamos a música com a intenção de eternizar o bom sentimento. Mas jamais esperávamos que nossas vidas seriam pausadas. Alguns aproveitaram para investir nos estudos, outros em uma alimentação melhor, há também quem surtou e quem enfrentou os monstros internos. Cada um enfrentando a sua batalha pessoal e tentando acreditar que o temporal vai passar.
Quantas pessoas deixamos de reencontrar? Imagine a quantidade de pessoas que não tivemos oportunidade de conhecer. Apesar dos desencontros, há algo que sussurra e diz aquela velha frase: "o que é seu vai chegar até você".
Que a tecla pause traga o sentimento de que em algum momento o play será ativado, quando tudo voltar a fluir sinta a certeza de que sobreviver é um presente que deve ser honrado diariamente. Que os planos saiam do papel e você possa concretizar tudo o que trará sentido para o seu novo mundo.
A autora é jornalista e escritora.