Usados como "babá virtual", os aparelhos eletrônicos podem trazer problemas para as crianças, se o uso for exagerado. Pesquisa divulgada pela revista Scientific Reports sugere que os pequenos que passam longos períodos utilizando as telas touchscreen (por toque) podem se distrair com mais facilidade, tendo reduzida a sua capacidade de manter o foco durante as atividades do dia a dia.
"Tem havido preocupação crescente de que o uso de touchscreen por crianças pode impactar negativamente o desenvolvimento de sua atenção, mas anteriormente não havia evidências concretas para apoiar isso", afirmou ao jornal Daily Mail o autor dos estudos, professor Tim Smith, do Centro para o Cérebro e Desenvolvimento Cognitivo Birkbeck, da Universidade de Londres, no Reino Unido, segundo informações da Revista Crescer.
O estudo selecionou 56 crianças para acompanhá-las durante três períodos: aos 12 meses, 18 meses e 3 anos e meio. Para a análise, os pais respondiam à seguinte pergunta: "Em um dia normal, quanto tempo seu filho gasta usando dispositivos com tela sensível ao toque (tablet, smartphone ou laptop)?".
A atenção dos participantes foi medida em laboratório, utilizando um rastreador ocular. Estímulos foram apresentados em um monitor enquanto a criança estava sentada no colo dos pais a aproximadamente 60 cm de distância.
Foi analisado que crianças com maior tempo de uso de aparelhos tochscreen olhavam mais rapidamente para o monitor quando objetos apareciam e eram menos capazes de ignorar objetos que as distraíam. Porém, os pesquisadores não têm certeza se esse fato pode ser atribuído ao uso excessivo dos aparelhos. "No momento, não podemos concluir que o uso de tela sensível ao toque causou as diferenças de atenção", afirmou ao Daily Mail a autora da pesquisa, Ana Maria Portugal, do Karolinska Institutet, Estocolmo, Suécia.
"É um sinal positivo que as crianças tenham se adaptado às demandas multitarefa de seu complexo ambiente cotidiano ou isso se relaciona a dificuldades durante tarefas que exigem concentração? O que precisamos saber é se essa diferença de atenção é vantajosa ou prejudicial para sua vida cotidiana", ponderou Rachael Bedford, da Universidade de Bath.