A segunda-feira, dia 8 de março passado, Dia Internacional da Mulher, paradoxalmente, foi um dia especial e inesquecível para mim, marcado não apenas no documento oficial próprio, mas também em meu íntimo como uma efeméride, pois tomei a segunda dose da vacina CoronaVac/ Butantan, dentro da faixa etária de 85 a 89 anos.
Seguindo orientações obtidas anteriormente, compareci à Unidade Municipal de Saúde Vila Cardia, onde tive o número 35 gravado com um lápis de cor por uma voluntária no dorso de minha mão direita, dirigindo-me assim como fizeram os meus antecessores e os que vieram após, à "sombrinha" de um muro na outra calçada.
Ressalte-se de que a espera não foi longa, cerca de duas horas e graças a Deus não choveu embora eu tenha estado prevenido; o sol era escaldante e a sombra diminuía cada vez mais. E de lá pudemos observar os idosos que chegaram acompanhados por familiar em outro horário, seus dramas e sofrimentos.
E aqueles que iriam ser vacinados dentro do carro. Situação triste, muito triste, a daqueles idosos envergados pela idade e que mal podiam andar, aqueloutros encostados nas paredes mal se aguentando em pé; verificar a preocupação dos acompanhantes, marido, filho, vizinho.
Marcou-me aquela idosa que não tinha força para sentar na mureta do portão. E de lá ainda presenciávamos a aglomeração das pessoas na portaria querendo informações como, se havia vacina ou em que número estava; fato que evidenciava a falta de informação, que não deveria ser pessoal mas geral através de aparelho de som. Afinal, após ter tomado a segunda dose e de estar possivelmente imunizado, poderia calar-me pensando que o problema não é mais meu. Mas é sim, meu e de todos, um problema solidário e a minha intenção é de colaborar com a administração municipal.
Louvo o dr. Orlando Dias pela implantação dos 23 postos de vacinação, porém, levanto uma questão; todos eles têm condições físicas para receberem a quantidade de interessados e que cada vez será maior? Porque um fato é patente e inquestionável- o da Vila Cardia não tem espaço físico e outras alternativas senão calçadas e rua.
Oferece vacina e ao mesmo tempo perigo de contaminação pelo aglomerado das pessoas que esperam e desejam informações. Tendo por bases o bom senso e a criatividade não é para se pensar em alternativas que ofereçam abrigo ao povo como os ginásios de esporte, auditórios, escolas ou igrejas?
Locais públicos onde os que esperam possam sentar, com disponibilidade de sanitários? Outra alternativa não seria mudar a sistemática para a entrega de senhas? Estamos na modernidade, época de mudar, inovar.
Não obstante as tristes cenas observadas por mim e pelos da "sombrinha", não posso deixar de citar a abnegação e vontade de servir de todas as funcionárias. Merecem elogios porque fizeram mais do que podiam. Sei de algumas que não aguentavam ver os cotidianos dramas e também choravam porque se viam impotentes para ajudarem.