Cultura

Oscar bate recordes e busca por diversidade já dá frutos

Leonardo Sanchez
| Tempo de leitura: 2 min

O Oscar deste ano está diferente. É fácil pôr a culpa na pandemia, mas as mudanças desta 93ª edição ficaram evidentes com a divulgação dos indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, nesta segunda.

Parece que a associação que entrega o homenzinho dourado realmente caminha para uma mudança, depois de ampliar o seu quadro de votantes e adotar medidas em prol da diversidade, com alguns recordes importantes.

O primeiro deles não chega a ser surpresa, já que a presença de mais de uma mulher na categoria de direção já vinha sendo ventilada há meses. Chloé Zhao, de "Nomadland", e Emerald Fennell, de "Bela Vingança", estão na disputa, que pela primeira vez tem mais de uma única diretora. Ao longo de toda a história da premiação, só cinco mulheres foram sido contempladas, cada uma em uma edição diferente.

O quinteto ainda solidifica a forte presença de cineastas estrangeiros na categoria. Zhao, a favorita, é chinesa, e Vinterberg é dinamarquês. Chung nasceu nos EUA, mas é filho de coreanos.

O outro recorde do anúncio veio com as categorias de atuação. Cinco anos depois da campanha #OscarsSoWhite, que denunciou a ausência de atores não brancos na cerimônia de 2016, a Academia escolheu nove artistas de etnias sub-representadas.

Steven Yeun, de "Minari", se tornou o terceiro indicado a melhor ator de ascendência asiática, enquanto Riz Ahmed, de "O Som do Silêncio", o quarto, e também o primeiro muçulmano na categoria. Eles se juntam, na corrida, a Chadwick Boseman, que recebeu uma indicação póstuma por "A Voz Suprema do Blues", fazendo dos brancos, pela primeira vez, a minoria nela.

Em ator coadjuvante, há três negros concorrendo - Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield, por "Judas e o Messias Negro", e Leslie Odom Jr., por "Uma Noite em Miami" -, enquanto a diversidade entre as atrizes fica por conta de Andra Day, de "The United States vs. Billie Holiday", e Viola Davis, por "A Voz Suprema do Blues", em principal, e a coreana Youn Yuh-jung, de "Minari", em coadjuvante.

Entre os filmes que concorrem à estatueta mais cobiçada do Oscar, "Judas e o Messias Negro" é o primeiro na história a ser produzido só por negros.

E da mesma forma que no ano passado, a Netflix tem duas produções na disputa de melhor filme, "Mank" e "Os 7 de Chicago". Até agora, a companhia não conseguiu desbancar estúdios tradicionais e arrematar o principal prêmio da cerimônia. Ao todo, a plataforma recebeu 35 indicações nesta edição, à frente de qualquer outro estúdio.

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