A Secretaria de Saúde de Bauru perdeu, por validade vencida, em novembro passado, cerca de 9 mil testes de sorologia IgG/IgM, para detecção de Covid-19. A denúncia foi feita ontem pelo vereador Junior Rodrigues (PSD) e a prefeitura confirma. Em meados de 2020, o governo local aderiu a um convênio com o Estado, pelo qual recebeu 17 mil testes do Instituto Butantan, com o objetivo de uma pesquisa sobre imunização. O público-alvo eram profissionais da saúde, agentes penitenciários e reeducandos.
O vereador Junior Rodrigues (PSD) informou ao JC que obteve informação de que os cerca de 9 mil testes do convênio encontravam-se vencidos e estocados, até hoje, na Secretaria de Saúde, não sendo devolvidos, nem trocados, tampouco descartados. Este teste rápido com anticorpos identifica se a pessoa teve contato com o vírus, por meio de coleta de algumas gotas de sangue.
"Acionamos hoje (ontem) a Secretaria de Saúde, vamos protocolar pedido de transparência por meio Artigo 18 da Lei Orgânica do Município, para obter detalhes sobre o ocorrido e saber quem é o responsável. Precisa ser apurado", comenta o vereador. O laboratório fornecedor é o Hilab.
Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que o atual governo municipal não tem problemas com testagem, que segue ocorrendo normalmente.
A perda de testes citada pelo vereador Junior Rodrigues aconteceu na gestão passada. No entanto, não se sabe ainda o motivo de os testes vencidos estarem engavetados até agora.
EXPLICAÇÕES
O ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta disse ao JC que essa é uma informação que só os técnicos da área, que são todos de carreira, têm acesso. "Todos os exames que recebemos de doação dos governos Federal e do Estado, mesmo com datas próximas de vencimento, foram usados dentro da estratégia de testagem em massa da população. Além disso, Bauru foi reconhecidamente uma das cidades que mais testou no Estado, pois além de adquirirmos mais de 30 mil testes rápidos, também mobilizamos uma rede de testagem com os laboratórios públicos da cidade e disponibilizamos equipamentos importantes para que tanto o Instituto Adolfo Lutz com o Lauro de Souza Lima pudessem realizar o RT-PCR mais rapidamente", disse o ex-prefeito.
Já o secretário de Saúde da época, Sérgio Henrique Antonio, informou que o Butantan forneceu prazos muito curtos para utilizar todos os testes da pesquisa. "Tentamos parcerias, com o Hospital Estadual e com a FOB/USP, mas eles declinaram. Pedimos a troca ao Butantan, mas não obtivemos resposta. Fizemos um trabalho brilhante na época, olha só como está a Saúde de Bauru agora!", comentou.
O JC também ouviu o diretor de departamento da época, Luiz Cortez. Ele reiterou que os testes se tratavam de uma pesquisa na qual Bauru, diferentemente de outras cidades, se propôs a colaborar com o Estado e com o Butantan. "A orientação era levantar conhecimento sobre imunidade. E isso foi feito. Distribuímos os dados para o instituto. A metodologia que eles pediram era complicada, exigia muito tempo para transmissão dos dados. Contatamos o Butantan, para fazer a troca, mas acabou não sendo feita. Não era possível realizar todos dentro do prazo de validade, que era muito curto", esclarece.
Perguntado sobre a possibilidade de repassar estes testes para outra cidade ou até para hospital particular, com o propósito de não perdê-los, Cortez afirmou que não existia escassez na época. O Município afirmou ainda que não houve nenhum prejuízo financeiro para Bauru.