Desci do carro às pressas para
buscar pães.
Eis que um senhor, morador de
rua, me chamou, apontou para sua
máscara e me alertou: "Esqueceu a
máscara!".
Pensando nos pães, não lembrei do
acessório.
Agradeci, voltei ao carro, peguei e
coloquei a máscara.
Ao deixar a padaria, como sempre
faço nessas situações - e adoro,
dei-lhe dois salgados.
Pus-me a dirigir, retomando o
trajeto.
Parada em razão do semáforo,
observei o entorno. Ao lado,
trabalhadores da construção civil.
Um trio de colegas trocavam mate-
riais e conversavam no trabalho.
Um deles, em cima de um muro,
dava boas e altas gargalhadas.
Nem parecia destinar-se ao árduo
trabalho.
Me deu até vontade de rir, tamanha
sua alegria.
Ao chegar no destino, uma senhora
varria a calçada próxima a mim.
Manejava a vassoura e cantava.
A entonação era caprichosa.
Ajuda, gargalhada, cantoria...
Em meio a tanta tristeza, há alegria
na pandemia.
Além da esperança, o próximo
também nos fortalece.