Economia & Negócios

Cartão de crédito: juros anuais chegam a 875%

Agência Brasil
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O adiamento do pagamento integral da fatura do cartão de crédito leva à multiplicação da dívida, que pode sair do controle do consumidor. Quem não tem dinheiro para pagar o valor total da fatura, terá a dívida corrigida por taxas anuais de juros superiores a 300% - podendo chegar 875%, segundo a Agência Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Muito do escalonamento que faz a dívida no cartão se transformar em uma bola de neve são os chamados juros compostos - uma fórmula de cálculo que aplica "juro sobre juros". O valor cobrado vai aumentando cada vez mais porque juros são aplicados seguidamente em cima de um valor que já estava atualizado e corrigido. "Acontece quando deixamos de pagar a dívida contraída via cartão de crédito", resume o diretor da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Juros compostos são usados em todo o mundo, pondera Oliveira. "O problema é que, como os juros no Brasil são muito altos, essa composição dá uma diferença enorme, na comparação com esses países onde a taxa de juros é de cerca de 3% ao ano", acrescenta.

Segundo Oliveira, os juros rotativos médios, no Brasil, estão atualmente na faixa de 12,5% ao mês, o que significa um total de 329,3% ao ano. Em termos práticos, isso significa que, em 30 dias, uma dívida de R$ 1 mil se transforma em R$ 1.125,20. Em um ano, esse valor aumentaria 329,3%, chegando a quase R$ 4.300. Um levantamento da proteste mostra que os juros cobrados pelos cartões podem chegar a 875,25% ao ano - o que transformaria a dívida de R$ 1 mil em quase R$ 10 mil no acumulado de 12 meses.

No site do Banco Central, é possível conferir ranking de taxas de juros cobradas por instituições financeiras.

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