Washington - O infectologista Anthony Fauci, principal conselheiro médico do governo dos Estados Unidos, afirmou que ele e a equipe de especialistas focada no combate à Covid-19 nos Estados Unidos vão se reunir com autoridades brasileiras para discutir formas de auxiliar o País a reverter o pior momento da crise sanitária no Brasil. O anúncio foi feito na Casa Branca. Em ritmo contrário ao americano, os números de casos, mortes e hospitalizações por covid-19 têm acelerado no Brasil, à medida que a vacinação segue ritmo lento.
Já nos EUA, entre 2,5 e 3 milhões de pessoas são vacinadas diariamente, de acordo com o membro da força-tarefa da Casa Branca contra a pandemia, Andy Slavitt.
Apesar da queda nos casos e a vacinação em massa, há ainda riscos de que os contágios aumentem, segundo a diretora do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) americano, Rochelle Walensky.
NOVA YORK
Entre as ameaças, Walensky disse que tem observado com atenção o comportamento da variante do coronavírus descoberta em Nova York.
Segundo ela, as evidências até agora apontam para uma capacidade de contágio menor do que a da cepa britânica, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das três variantes de risco, junto com a de Manaus e África do Sul e, nos locais aonde os americanos forem bem-vindos, a ajuda será estudada pelo governo Biden.
ARAÚJO CRITICA
Sem se referir à ajuda proposta pelo infectologista nos EUA, um dos principais do mundo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quarta-feira (24) que considera "difícil" o Brasil obter dos Estados Unidos a liberação para compra de milhares de vacinas da AstraZeneca/Oxford estocadas e ainda não aplicadas contra a Covid. Ao falar em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro também indicou que o Ministério da Saúde pode sofrer novos atrasos no fornecimento de doses do imunizante que são fabricadas na Índia. Ele não citou a quantidade exata. Mas disse que dificuldades na produção podem impactar o fornecimento de milhares de unidades já contratadas pelo governo federal.
O chanceler disse que não poderia dar prazos para que o Brasil efetivamente receba uma parte das vacinas solicitadas ao governo norte-americano. Segundo Ernesto, apesar de apelos do Itamaraty e do Congresso ao governo Joe Biden, o excedente de vacinas "está se materializando devagar" nos EUA.
Pressionada pela comunidade internacional, a Casa Branca anunciou ter 7 milhões de doses em estoque e já autorizou o envio de parte para o México (2,5 milhões) e o Canadá (1,5 milhões). Isso porque a vacina da AstraZeneca/Oxford ainda não obteve autorização de uso no país.