Política

Pastor Edson denuncia ex-vereador por ameaça e é alvo de pedido de CP

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Segue tenso o clima na Câmara Municipal de Bauru e também fora dela. O vereador pastor Edson Miguel (Republicanos) procurou a Polícia Civil na terça-feira (23) para denunciar o ex-parlamentar Ricardo Kbelo por crime de ameaça e extorsão. No pedido da instauração de inquérito, o pastor alega que Kbelo o teria ameaçado para que deixasse o cargo, insinuando que levaria adiante uma denúncia contra o vereador envolvendo diploma falso do ensino supletivo.

Na manhã desta quarta (24), coincidência ou não, a Câmara recebeu denúncia feita por uma ex-assessora parlamentar da Casa de Leis que acusa o pastor por compra e uso de diploma falso do Ensino Médio, e solicita abertura de Comissão Processante (CP). O pedido será analisado nesta quinta-feira (25).

Primeiro suplente da cadeira hoje ocupada por Edson Miguel, Kbelo, que perdeu o mandato em fevereiro após recontagem de votos, é acusado de cometer a ação contra o pastor para obter vantagem e assumir o lugar do seu até então colega de partido.

Ricardo Kbelo confirma ter procurado o pastor Edson na última segunda-feira (22), mas nega o crime dizendo que seu objetivo era precavê-lo sobre a denúncia futura envolvendo seu diploma. "Falei com ele em tom de solidariedade para alertá-lo do que aconteceria. Há provas contundentes de que ele comprou o diploma. Eu disse que isso poderia prejudicar a imagem dele, tanto como pastor quanto como vereador. Não houve extorsão nenhuma, ele que prove isso", afirma o ex-vereador, alertando que não teve acesso ao inteiro teor da denúncia.

DENÚNCIA CRIMINAL

No requerimento protocolado junto à Central de Polícia Judiciária da Bauru (CPJ), constam trechos da conversa de Kbelo com Edson, que foi gravada pelo pastor.

"Eu vim mostrar isso para o senhor, a minha obrigação é fazer a denúncia tanto na Polícia Federal, no Ministério Público, na Câmara Municipal, no Tribunal Superior Eleitoral... o senhor queira entender como o senhor queira. O senhor vai ter duas opções, ou continua nos dois e eu vou tocar esse negócio aqui, ou o senhor desiste de alguma coisa para não te manchar totalmente, porque eu vou dar entrada na Justiça", disse Kbelo.

Neste momento, o pastor questionou: "Como assim, eu não entendi, você tá me falando para renunciar?". E Kbelo respondeu: "Não estou falando para o senhor renunciar, o senhor vai fazer o que o senhor quiser".

Sobre o suposto crime em troca de vantagem, Kbelo nega ter pleiteado a vaga na Câmara. "Estou bem aqui fora, tocando minha vida. Até minha saúde está melhor. Nem se eu quisesse acho que poderia voltar, porque estou sub judice", argumenta.

PROCESSANTE

Em contrapartida ao inquérito criminal contra Kbelo, a Câmara recebeu, por volta das 12h desta quarta (24), uma denúncia contra o pastor Edson Miguel, mas assinada pela munícipe Giovanna Zangare, que solicita a instauração de Comissão Processante (CP) por compra e uso indevido de documento falso.

Na denúncia consta que Edson teria apresentado à Justiça Eleitoral comprovante de escolaridade para o atual mandato cuja emissão indica uma instituição educacional, com sede em Cuiabá, envolvida em inquéritos por comercialização irregular de diplomas. A unidade, inclusive, teve sua atividade cassada.

A munícipe, que é ex-assessora parlamentar, cita que há provas materiais e testemunhais de que o pastor pagou pelo diploma falso. A reportagem tentou contato com ela, mas sem sucesso.

Já Kbelo diz que, apesar de conhecimento sobre os fatos, não possui relação com a denúncia, que ele diz ter sido feita pela munícipe por motivações pessoais.

O presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB), disse que tomará conhecimento do teor do documento nesta quinta-feira (25) para "deliberar sobre os direcionamentos cabíveis".

Advogado do pastor, Thiago Tezani confirmou a situação da instituição educacional, mas afirma que o Edson realizou a matrícula e completou quase todo o curso antes do problema. "A situação dele é regular, ele recebeu os materiais, estudou e passou na prova final. Mas, por cautela, já notificamos a empresa para que ela apresente essa documentação comprovando tudo", finaliza.

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