Regional

Covid: região registra mortes de pacientes à espera de UTI

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Os reflexos do crescente aumento no número de casos e internações por Covid-19, com a consequente saturação dos hospitais de referência para o tratamento de pacientes graves com o coronavírus, já vêm sendo sentidos na região. Nos últimos dias, pelo menos seis pessoas com a doença morreram esperando leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Piratininga, Agudos, Iacanga e Duartina.

O caso mais recente foi o de Duartina (38 quilômetros de Bauru), o primeiro registrado na cidade desde o início da pandemia. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a paciente, uma mulher de 53 anos, estava internada no Hospital Santa Luzia. O quadro de saúde dela se agravou no domingo (21) e, desde então, ela aguardava vaga em UTI Covid. Na tarde desta quarta-feira (24), acabou não resistindo.

Na noite desta terça-feira (23), uma moradora de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) morreu com a doença à espera de uma UTI. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, também trata-se do primeiro caso de óbito por Covid sem devido tratamento de urgência. A paciente, de 62 anos, foi diagnosticada com a doença em 15 de março e internada quatro dias depois na Santa Casa, onde aguardava vaga em uma UTI.

Piratininga (13 quilômetros de Bauru) também registrou na noite desta terça a primeira morte de paciente na fila por leito de emergência. O homem, de 63 anos, era servidor municipal aposentado e trabalhou como motorista de ambulância na Coordenadoria da Saúde. Com comorbidades, estava internado na Santa Casa do município desde o último dia 17 à espera de leito de UTI em hospital de referência para a Covid.

O prefeito Major Jorge Luís lamentou a morte do aposentado e contou que ele ficou seis dias em um leito de suporte básico. "Ele já deveria ter sido transferido e não foi", declara. Segundo ele, nesta quarta, uma senhora também aguardava na Santa Casa, intubada, por vaga de UTI. "Precisamos que esses pacientes sejam transferidos com uma rapidez maior. O paciente intubado acaba tendo outras sequelas", diz.

O chefe do Executivo ressalta que, desde 1 de fevereiro, está em funcionamento na Santa Casa o Centro Integrado de Atendimento à Covid, com oito leitos de enfermaria e quatro de suporte básico, estes últimos para pacientes graves, que aguardam transferência para hospitais de referência. A manutenção do Centro é feita integralmente pela prefeitura, com investimento no valor de R$ 480 mil, previsto para 90 dias. 

EM AGUDOS

Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), de acordo com a Secretaria de Saúde, três pacientes com Covid-19 morreram nesta semana na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) à espera de leito de UTI - um homem de 49 anos, com diabetes, no domingo (21); um homem de 58 anos, sem comorbidades, nesta segunda (22); e uma mulher de 56 anos, sem comorbidades, também nesta segunda (22).

A reportagem acionou as Prefeituras de Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras, Botucatu, São Manuel, Jaú e Bariri. Todas informaram que não registraram óbitos de pacientes com Covid no aguardo de vaga de UTI.

O ESTADO

O JC também pediu informações à Secretaria de Estado da Saúde sobre o número de pessoas com a doença à espera por leito de UTI na área do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru e total de mortes ocorridas nesta fila de espera, por cidade. A pasta não informou os dados detalhados por município.

"A demanda de transferências para casos de Covid-19 registradas na Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) cresceu 117% em comparação ao pico da pandemia: atualmente, são cerca de 1,5 mil pedidos por dia, contra 690 em junho de 2020, quando foi o auge da primeira onda", declarou em nota.

"A regulação depende da disponibilidade de leitos e de condição clínica adequada para que o paciente seja deslocado com segurança até o hospital de destino. A rede de saúde está impactada com o aumento de casos e internações". Ontem, cerca de 30 mil pessoas estavam internadas com Covid ou suspeita da doença.

"O Governo de São Paulo tem investido na ampliação de leitos e, somente neste mês, anunciou a abertura de mais de mil leitos e 12 hospitais de campanha. Até abril, o Estado terá mais de 9,2 mil leitos de UTI, contra 3,5 mil antes da pandemia", afirmou em nota.

 

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