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Taxa básica de juros em alta

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Como era esperado, o Banco Central promoveu a primeira alta na taxa básica de juros no Brasil, depois de 6 anos. A taxa Selic, como é conhecida, saltou de 2% ao ano para 2,75% ao ano. Vale destacar que o mercado projetava alta máxima de 0,5 ponto percentual. A ata do Comitê de Política Monetária indica que além da alta da reunião passada, na próxima reunião, em maio, poderá ocorrer nova elevação de 0,75 ponto percentual, elevando a taxa básica para 3,5% ao ano. As incertezas, tanto no campo fiscal como na cotação do dólar, e ainda pressão direta sobre preços são os argumentos para elevar os juros no Brasil.

Na prática, o Brasil até que tentou afrouxar a política monetária, mas a dinâmica da economia brasileira não dá trégua. A taxa básica em 2% ao ano com inflação acima de 5% ao ano, portanto, operando com taxa de juros real negativa, gerou desequilíbrios em vários mercados, entre eles o de bens e serviços, além do mercando cambial. Em mercado concentrado como é o brasileiro, tendo uma nova onda de casos e mortes por covid19, o afrouxamento da política monetária não traz efeitos positivos aos agentes econômicos.

A carestia na ponta é realidade. O cidadão comum, além de perder renda, ainda vem perdendo poder aquisitivo. Os preços dos produtos básicos não param de subir e o que se observa é a precarização do consumo das famílias. Evidentemente que juros mais altos inibem crescimento econômico mais acentuado, também tornam mais caro o crédito, prejudicando os agentes deficitários, contudo, o mundo econômico é feito de escolhas. Há que se combater o pior para o grosso da população, e por este prisma segurar a escalada dos preços, ou seja, controlar a inflação passa a ser a prioridade.

Vale destacar que a inflação prejudica sempre mais fortemente os mais pobres. Sem condições de proteger seu poder aquisitivo, entregam cada vez mais recursos para consumir a mesma quantidade de produtos. O resultado é a substituição de bens normais por bens inferiores, passando longe dos bens supérfluos. Como colocado, o consumo é precarizado. A constatação é que essa deve ser a dinâmica deste ano: juros mais altos, inflação pressionada operando acima da meta fixada de 3,75% e a Autoridade Monetária agindo no sentido de garantir que o ano que vem a meta, que foi fixada em 3,5%, seja efetivamente cumprida e, para tanto, estabilizar os preços em 2021 passa ser a prioridade.

Como a Ciência Econômica lida com escassez e criou instrumentos de política macroeconômica para que os agentes econômicos façam suas escolhas, fica claro que a escolha da Autoridade Monetária já está em curso: taxa básica de juros seguirá em alta, mesmo que comprometa o crescimento econômico.

O autor é economista, presidente da Acib.

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