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Roncam os motores


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Depois de uma temporada tumultuada pela pandemia de coronavírus, a Fórmula 1 tenta restabelecer neste ano a normalidade com a proposta de um calendário cheio. O campeonato que começa oficialmente nesta sexta-feira (26), com os primeiros treinos para o GP do Bahrein, tem 23 etapas previstas. Será o mais longo da história. Nele, o grande favorito, o inglês Lewis Hamilton, poderá se tornar absoluto como o maior campeão da categoria.

A Covid-19 ainda é um temor para a F1. A temporada começa com alguns pilotos vacinados, mas com uma série de exigências para testes e cuidados com o distanciamento. Ter um Mundial impecável é importante até para a categoria repor as perdas financeiras do ano passado.

A temporada pode colocar Hamilton como maior vencedor de todos os tempos, caso ele ganhe o oitavo título. Atualmente, está ao lado de Michael Schumacher, com sete conquistas, embora leve a melhor em critérios comparativos como vitórias (95 a 91) e pole positions (98 a 68). Hamilton ganhou seis dos últimos sete campeonatos e parece não ter adversários à altura. O companheiro na Mercedes, Valtteri Bottas, carece de regularidade. Já os demais concorrentes não têm o mesmo equipamento nem o seu talento.

"Os pilotos fazem o que podem, dão o máximo que têm. Eles têm preparação física e técnica, mas acho que não tem ninguém no nível do Hamilton. Acima de tudo, tem o carro. Não acredito que alguém tire o título do Hamilton, mas ele não vai ganhar tantas corridas com facilidade como ganhou", analisa Reginaldo Leme, comentarista de Fórmula 1 da Band.

"Eu ainda apostaria em Lewis, porque não é possível imaginar alguém o vencendo na temporada. Mas Max Verstappen, em particular, esteve mais perto do que nunca na pré-temporada, em termos de chances. Não acho que alguém tenha estado tão perto há muitos, muitos anos", disse Nico Rosberg, campeão em 2016 e ex-companheiro de Hamilton na Mercedes.

A rotineira cena de Hamilton no alto do pódio reforça também a postura do piloto como voz ativa contra o racismo. O inglês se empenhou bastante no assunto ao longo do ano passado e promete continuar na luta.

RETORNO

Uma das novidades da categoria neste ano é um velho nome. Após dois anos de afastamento, Fernando Alonso está de volta. O bicampeão mundial (2005/06) retorna com muita expectativa e sedento por vitórias. Afinal, entre 2018 e 2019, ele percorreu diversas categorias, do Rally Dakar à Fórmula Indy, e só encontrou algum sucesso nas 24 Horas de Le Mans. Não foi o suficiente.

Nos testes da pré-temporada, o espanhol exibiu potência, deixou os carros da Ferrari para trás e indicou que o campeonato pode ser mais equilibrado do que o esperado. Depois das temporadas frustrantes com a McLaren, Alonso decidiu voltar para a F1 com a Renault, pela qual faturou seus dois títulos mundiais.

O time francês foi um dos dois que mudaram de nome. Agora se chama Alpine, trocando o amarelo pelas cores da bandeira da França. O outro time rebatizado foi a Racing Point, que passou a ser Aston Martin, marca que faz sua terceira passagem pela Fórmula 1 - chegou a ser construtora na década de 50.

A escuderia é bancada pelo bilionário canadense Lawrence Stroll, que manteve seu filho Lance como piloto. O outro será o tetracampeão Sebastian Vettel, que deixou a Ferrari.

Entre os estreantes estão Yuki Tsunoda e Nikita Mazepin. O japonês vai correr pela AlphaTauri e é quem gera as maiores expectativas. Chega à F1 amparado pelo aprendizado nas academias da Honda, fornecedora de motor do time e da Red Bull, dona da AlphaTauri.

O russo Mazepin chega à Haas com apoio do patrocinador máster, uma grande empresa russa de fertilizantes. Sua contratação já foi cercada de polêmica, por causa de uma acusação de assédio sexual.

Mas o estreante que terá os todos os holofotes é Mick Schumacher, filho do heptacampeão mundial, Michael Schumacher. Com apenas 21 anos, Mick teve uma passagem discreta pelo kart, mas chamou a atenção do mundo do automobilismo ao se sagrar campeão da Fórmula 3 Europeia em 2018. O título abriu as portas da Fórmula 2 no ano seguinte. Sem se destacar na primeira temporada, terminando apenas na 12ª colocação, ele mostrou forte evolução no seu segundo ano na F2, com nove pódios. E foi campeão.

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