Nesta terça-feira (30), os prefeitos de Lençóis Paulista, Anderson Prado (DEM); de Jaú, Ivan Cassaro (PSD); e de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota), viajaram a Brasília para participar de duas audiências - no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto - em busca de soluções para a falta de medicamentos necessários para a intubação e a manutenção da sedação de pacientes graves com Covid-19.
A primeira reunião, marcada pela deputada federal Carla Zambelli (PSL), foi com Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Já o segundo encontro, intermediado pelo deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB), foi com Deborah Virginia Macedo Arôxa, secretária especial de Assuntos Federativos do Palácio do Planalto.
"Oficiamos e explanamos nas duas secretarias a situação da região e, especialmente, a de Lençóis Paulista, no que tange aos medicamentos. Relataram o envio ao Estado para a distribuição aos municípios e que irão tomar providências urgentes em relação aos problemas apresentados", declarou Prado.
Em Bauru, os materiais são necessários para o 'mini hospital' do Pronto Socorro Central (PSC) e Posto Avançado Covid (PAC), além de Unidades de Pronto-Atendimento (UPA). "O Ministério da Saúde nos informou que os insumos já estão sendo enviados. Mas precisamos de rapidez, e apoio em todas as frentes de combate", afirma a prefeita.
Conforme divulgado pelo JC, na última sexta-feira (26), o baixo estoque de medicamentos que compõem o kit intubação no Hospital Nossa Senhora da Piedade, que estava com 22 pacientes com Covid na UTI, levou o prefeito de Lençóis a oficiar o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6). Na ocasião, o estoque disponível era suficiente apenas para 72 horas.
No final de semana, o município recebeu 40 ampolas de um sedativo do Estado e outras 700 ampolas, entre sedativos e relaxantes musculares, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Nesta terça, em nota, a prefeitura informou que, com o auxílio do DRS-6, "conseguiu o empréstimo de sedativos junto a municípios da região, reabastecendo parcialmente os estoques".
"Em relação aos relaxantes musculares, que são necessários ao processo de intubação e manutenção do estado de sedação dos pacientes, a prefeitura ainda busca a reposição dos estoques que, por enquanto, contam apenas com os medicamentos fornecidos no domingo pelo Hospital das Clínicas de Botucatu. O hospital ressalta que, por hora, não há falta de medicamentos, mas insiste na necessidade permanente de reposição dos estoques até sua regularização".
LIMINAR
A pedido do Ministério Público (MP), no domingo (28), a Justiça concedeu uma liminar determinando que o Estado fornecesse materiais imprescindíveis para funcionamento do hospital de Lençóis, no prazo de quatro horas a partir da intimação, ou transferisse os pacientes internados para hospitais das redes pública ou privada, no prazo de oito horas, sob pena de multa no valor de R$ 3 milhões.
Na segunda-feira (29), dois pacientes graves de Lençóis com Covid foram transferidos para hospitais em Bauru e Botucatu. "O DRS-6 oficiou a prefeitura para que forneça os dados dos pacientes internados para que, se for necessário, seja realizada a transferência para hospitais de referência da região", diz o Executivo em nota. Ontem, 22 pacientes com Covid estavam internados na UTI em Lençóis.