Tribuna do Leitor

Rabisco da vida

Nélson Coimbra - Academia Bauruense de Letras
| Tempo de leitura: 1 min

Voltava eu de uma importante missão, quando, ao adentrar uma das artérias cuja via é de grande importância para cidade, devido ao enorme fluxo de veículos que por ela escoam vindos do Jardim Bela Vista e bairros adjacentes, deparei com uma das mais belas cenas de amor e dedicação que já presenciei em minha vida.

Do outro lado da rua em que eu me achava havia um casal de velhinhos. O casal, maltrapilho apresentando grande pobreza, era de negros. Notava-se na mulher grande dificuldade na visão, pois tateava o solo para pisá-lo, além da dificuldade para arrastar a soma de seus longos anos.

Aquele casal propôs-se a atravessar a rua em minha direção e foi aí que eu, empolgado com tão grande demonstração de ternura, parei a contemplar a cena que se segue: o ancião amparava com tanto amor e carinho a sua companheira para que atravessasse em segurança que me comoveu profundamente a ponto de me transformar em fiscal de trânsito para protegê-los.

Que gesto maravilhoso de amor entre aqueles dois seres. Eram paupérrimos, nada possuíam materialmente e bem se via isso, mas era de uma enorme e sem par grandeza o amor que conservavam entre si. Parabéns, pois, ao casal anônimo pelo exemplo porque é de amor assim que a humanidade precisa para que o mundo seja melhor para todos!

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