São Paulo - Com centenas de pessoas na fila por uma vaga, 19 capitais brasileiras estão com mais de 90% de ocupação nas UTIs públicas para pacientes graves da Covid-19, mesmo com a criação de 520 UTIs desde a semana passada. Os dados que mostram o panorama no fim de março, são de levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo com prefeituras e governos estaduais.
Cinco capitais já não têm vaga nenhuma disponível --Porto Alegre, Curitiba, Porto Velho e, pela pela primeira vez com ocupação máxima, Campo Grande e Rio Branco.
Na capital do Acre, os dois hospitais de referência para Covid-19 estão com 100% das UTIs ocupadas desde 26 de março. No Hospital de Clínicas de Rio Branco, a taxa de ocupação dos leitos clínicos era de 110%.
Apesar de a rede pública de saúde estar colapsada desde o início do mês, não foram criados leitos de UTI no estado. O médico Guilherme Pulici, que atua no Pronto-Socorro de Rio Branco, contou que a falta de médicos é um dos entraves.
"Esse é um problema histórico no Acre, que, com a pandemia, se agravou. As equipes estão sobrecarregadas", disse o médico, que relatou ainda que há escassez de insumos, como medicamentos e equipamentos.
Já em Mato Grosso do Sul, apesar de o Estado ter reduzido a superlotação de hospitais, a ocupação de UTIs está em torno de 99%, com 177 pacientes aguardando vaga.
LOCKDOWN MELHORA
No Paraná, que abriu 113 vagas de UTI em uma semana, a ocupação segue em 92%, com 491 pessoas à espera de leito. A capital, Curitiba, enfrenta um dos piores cenários, com todas as UTIs ocupadas.
Essa situação levou Curitiba a estender o lockdown até esta segunda-feira, 5 de abril. As duas primeiras semanas de lockdown trouxeram resultado, segundo a secretária de Saúde do município, Márcia Huçulak. "Muita gente diz que lockdown não funciona, mas a gente teve uma redução da taxa de replicação", disse ela. A taxa de transmissão do vírus caiu de 1,41 para 0,89.
UM MÊS
Porto Alegre já completa cerca de um mês com superlotação de UTIs. A abertura de 30 leitos nos últimos dias não foi suficiente e há ainda dez pacientes sem vaga.
Mesmo com o sistema colapsado, o prefeito, Sebastião Melo (MDB), tentou reabrir o comércio, bares e restaurantes nos finais de semana, mas foi impedido pela Justiça, pois descumpriria o decreto estadual vigente.
TRANSFERÊNCIA
Em Porto Velho, onde há dois meses não tem vagas de UTI, doentes continuam sendo transferidos para outras cidades. Mais de 80 pessoas esperavam na fila em todo o estado de Rondônia.
Santa Catarina também segue com cenário crítico de internações, com 98% das UTIs ocupadas, mesmo com a criação de 74 vagas na última semana. Há 363 pessoas aguardando por vagas. Na capital, Florianópolis, havia apenas um leito de UTI disponível.
A criação de dez vagas também não foi suficiente em Goiânia. De 98% de ocupação na semana anterior, o índice chegou a 99% nesta semana na capital de Goiás, que tem 300 leitos intensivos.
Mesmo cenário em Pernambuco, que, mesmo com novos leitos, segue com seu sistema de saúde em colapso. Em uma semana, 128 vagas foram criadas, mas a taxa de ocupação continuou em 97%. E, mesmo diante desse quadro, o estado inicia a partir desta quinta-feira (1) a reabertura das atividades econômicas.
MORTES
As mortes em virtude da Covid chegaram a 328.206 ontem (2) em todo o Brasil. Nas últimas 24 horas, foram registradas 2.922 mortes.