Tribuna do Leitor

Aparecida, uma cidade turística...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Início de noite, no céu entre nuvens posso ver, na Constelação de Órion, um conjunto de estrelas denominado Três Marias. Pela estrada, que parece não ter fim, segue o ônibus rompendo a escuridão da noite. A cada quilômetro rodado, aumenta a expectativa de chegada à cidade de Aparecida. Diante de um céu emoldurado pelos primeiros raios solares, já é possível visualizar, como que numa maquete gigante, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Localizado no Vale do Paraíba, é considerado o maior santuário do mundo dedicado a Maria. É difícil descrever com palavras o que sentimos ao chegar à cidade. De imediato, só conseguimos sorrir. Sorrir com os lábios, com os olhos e com o coração.

Da rodoviária até o hotel, o fluxo lento de romeiros pelas calçadas, faz a caminhada ser mais devagar, em função do entra e sai das pessoas nas lojas. Na praça central em frente à Basílica Velha, os fotógrafos com suas velhas máquinas de tripé, fazem as pessoas prisioneiras do tempo em suas fotos. Andando mais alguns passos, estamos na Galeria Recreio (mini shopping), que dá acesso a Passarela da Fé, com 392 metros de extensão, no formato de um grande "S", interligando a Basílica Velha ao Santuário Nacional.

Toda construída em tijolinhos à vista, o teto da cúpula central é toda revestida por pequenas peças, que formam um mosaico artístico. As quatro paredes e os arcos no entorno do altar central, base de sustentação da cúpula, foram ornamentados por azulejos, retratando a biodiversidade brasileira. A Torre Brasília, com seu relógio quatro faces, medindo 12,50 metros de diâmetro, é iluminada por tiras de leds, proporcionando uma visão exuberante à noite. Localizado na Nave Sul da basílica, o Trono de Nossa Senhora Aparecida fica em um grande totem dourado, proporcionando a todos a oportunidade de vê-la de perto. Para entender esta familiaridade, nada melhor do que ver a expressão de carinho, de amor e de fé no rosto das pessoas. As lágrimas de seus olhos se unem às suas mãos em preces e pedidos.

Por ser uma cidade turística, Aparecida reserva muitas preciosidades. Dentro do santuário temos a Capela da Ressurreição, do Santíssimo e de São José. No subsolo da basílica, denominado de salão dos romeiros, encontramos a Sala das Promessas e a Casa do Pão, uma espécie de padaria e lanchonete. Na parte de trás do santuário, encontramos o Centro de Apoio aos Romeiros (shopping), onde se pode tomar um lanche, fazer uma refeição e adquirir inúmeras lembrancinhas, diante da infinidade de lojas.

Em torno do santuário, fica o teleférico com seus bondinhos (cabines), que levam os romeiros da estação do lado do santuário até a estação no Morro do Cruzeiro em apenas sete minutos. Também encontramos a Cidade dos Romeiros e o Caminho do Rosário, onde existe o Trem do Devoto, que leva as pessoas da Estação da Cidade até a Estação do Porto. Local este denominado de Porto Itaguaçu, onde os pescadores, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, encontraram a imagem da santa em 1717, durante uma pescaria, nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Ainda temos o Monumento dos 300 anos dedicado à pesca milagrosa, o Memorial dos Construtores, uma homenagem aos colaboradores da obra, o Campanário com seus 13 sinos, o Morro do Presépio (permanente) com 60 imagens e a Feira Livre, onde é possível encontrar artigos religiosos, decorativos, roupas, brinquedos, calçados e tudo mais que você possa imaginar. Final de tarde, segue o ônibus pela estrada, transformando todo caminho de ida em caminho de volta. No céu, posso ver o por do sol como que brincando de esconde-esconde com as nuvens. Já começo a sentir saudade. Mas fica a esperança de algum dia retornar à Capital Mariana do Brasil.

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