Neste domingo (11) os eleitores do Equador e do Peru irão às urnas para eleger seus presidentes em meio a um conjunto de crises que foram intensificadas durante a pandemia do coronavírus. A exemplo do que ocorre em outros países da América Latina, nos dois países andinos a forte queda na economia agravou a situação de pobreza e de exclusão social e evidenciou a precariedade dos sistemas de saúde.
O Peru elege novo presidente em pleito fragmentado e cheio de candidatos: 18. O cenário eleitoral peruano é tão incerto que, às vésperas do pleito presidencial, não era possível afirmar quem são os favoritos a um eventual segundo turno. Dos 18 candidatos na disputa, nenhum tem mais de 10% das intenções de voto nas pesquisas, e os sete primeiros estão embolados com diferenças que variam de centésimos a cinco pontos percentuais.
E mais. Juntas, as opções de anular o voto e a de não comparecer às urnas somam 30%, segundo levantamento do instituto Ipsos.
"Não há uma palavra para descrever a situação, talvez uma lágrima o faria melhor", afirma o sociólogo Fernando Tuesta Soldevilla, para quem as sondagens devem ser lidas semana a semana. "O desgaste dos candidatos é tão forte que os que lideram caem rapidamente e, na semana seguinte, já há novos líderes. É uma situação inédita não saber ao certo nem ao menos quem será um dos dois candidatos no segundo turno."
Para os especialistas ouvidos, esta eleição reflete a situação de desmonte dos partidos, algo que vem desde o período fujimorista (1990-2000), o aumento da desconfiança em relação à política provocada por seguidos escândalos de corrupção - um deles envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht - e os efeitos da pandemia do coronavírus. O Peru é um dos países da América do Sul mais afetados pela Covid, com 53.978 mortes desde o início da crise - e agora vê uma nova alta de casos.