Geral

Bauru sofre com falta d'água e plano feito há 7 anos foi pouco utilizado

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A estiagem acentuada deste ano tem gerado uma situação nunca vista nem mesmo nas últimas crises hídricas, onde já em abril o efeito das torneiras secas pela baixa vazão do Rio Batalha é sentido. Com a ameaça de um rodízio próximo, a missão do Executivo não é só colocar mais caminhões-pipa nas ruas, mas encarar o problema com medidas efetivas. E o Norte para enfrentar esse transtorno crônico do abastecimento é o Plano Diretor de Água (PDA), que foi entregue há 7 anos para a prefeitura, mas poucas metas foram cumpridas e a passos lentos pelo DAE. O documento, inclusive, já demanda até atualização.

De 2014 até hoje, cerca de cinco presidentes diferentes passaram pelo DAE. A última troca, inclusive, ocorreu, nesta sexta (9), na gestão de Suéllen, que completou 100 dias de governo e terá pela frente o desafio de uma gestão continuada na autarquia e com investimentos maciços no abastecimento. Até porque a falta de água é apontada como um dos 3 principais problemas da cidade, conforme apontou a pesquisa JC/Ágili.  

Elaborado em 2014, o PDA diagnosticou a situação do abastecimento e da produção de água na cidade e propôs soluções para a correção (veja mais ao lado), vislumbrando um horizonte de, no mínimo, 20 anos, ou seja, até 2034. O documento virou lei municipal em 2019, mas até hoje não há fiscalização sobre o que foi cumprido ou não pelo DAE.

Mesmo desatualizado há 2 anos, o plano já previa, que, até 2024, o sistema Estação de Tratamento de Água (ETA)/Batalha não seria mais suficiente para, sozinho, abastecer mais de 30% da cidade e planejava uma nova fonte de captação, que nunca saiu do papel. Hoje, o Batalha ainda abastece 38% da população, informa o site do DAE.

Pelo plano, o município já deveria ter investido cerca de R$ 146,8 milhões em ações de melhorias, montante que representa 57% do total de investimentos previstos pelo PDA até 2034.

AÇÕES

Contudo, pouco se fez. A setorização de redes de abastecimento que deveria abranger toda a cidade para controle de pressão da água, por exemplo, ocorreu apenas em parte do Jd. Bela Vista e no Pq. das Nações.

A troca de hidrômetros para evitar leituras incorretas, por sua vez, não superou 1,2 mil imóveis dos 135 mil existentes no município.

Sobre as novas interligações de adutoras, o DAE diz que obras estão em execução, mas não detalha.

O documento prevê ainda a modernização da ETA, que também não saiu do papel, assim como a viabilização de uma nova captação em 2.ª nascente, que custaria até R$ 45 milhões. O DAE diz não dispor deste recurso.

POÇOS SIM

O que realmente parece ter avançado foram as inaugurações de novos poços do DAE. Bauru conta hoje com 35 deles e não há limites para novas perfurações, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), observadas as distâncias entre cada um e apresentados os devidos estudos geológicos.

Novos poços e reservatórios estão no plano de governo da prefeita Suéllen para resolver a falta de água. Ela promete inaugurar três neste início de governo. O primeiro, na Praça Portugal, previsto para o segundo semestre deste ano. Ele deve beneficiar bairros da zona Sul abastecidos pelo Batalha. Com isso, a expectativa é de que a vazão do sistema ETA aumente para outras localidades.

Os outros dois poços são previstos para o ano que vem. Um na Vila Falcão, também voltado aos bairros abastecidos pelo Batalha, e outro no Mary Dota, região que tem registrado aumento populacional.

Outra proposta da prefeita para superar a estiagem de 2021 é reativar o poço do Pq. Real, terminar interligações e entregar, em abril, o reservatório Alto Paraíso, que deve melhorar o abastecimento na região da Vl. Falcão, Jd. Ferraz, Vl. Independência e Ouro Verde.

"O desafio é grande, mas sabemos que o DAE tem capacidade técnica para avançar e melhorar o abastecimento para a população", diz a prefeita.

Comentários

Comentários