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Taxa de ocupação de leitos Covid em Bauru é maior que média do Estado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Enquanto a taxa de ocupação de leitos de UTI e enfermaria para atendimento de pacientes com Covid-19 segue em decréscimo no Estado e na própria região, o volume de internados na rede pública de Bauru continua em patamar elevado. Segundo dados da Fundação Seade, que compila informações prestadas pela Secretaria de Estado da Saúde, 87% das vagas públicas de UTI e 68,6% das de enfermaria em todo o Estado estavam ocupadas até ontem.

Já na área do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), que abrange 68 municípios da região, os índices de ocupação eram de 92,5% em UTI e de 65,1% em enfermarias. E tanto no Estado quanto na região, o volume de novas internações caiu na última semana: em 14,9% e 8,8%, respectivamente.

No município de Bauru, porém, o cenário é outro. Conforme boletins epidemiológicos divulgados diariamente pela prefeitura, que se baseiam em dados fornecidos pela DRS-6, a UTI Covid do Hospital Estadual segue, há 49 dias, com 100% de ocupação ou acima deste limite.

Nesta terça, o índice era de 110%. Já a enfermaria da unidade estava com 90% de ocupação, patamar semelhante ao da enfermaria do hospital de campanha, que funciona no Hospital das Clínicas e estava com 93% dos leitos tomados.

O descompasso também é reforçado pelo volume de casos ativos, que corresponde ao número de moradores que podem, neste momento, transmitir a doença. Conforme o JC divulgou, de 19 de março - último pico da taxa de retransmissão (Rt) do novo coronavírus na região - até este domingo (11), o total de casos ativos aumentou 12,5% em Bauru, enquanto em outras cidades da região consideradas pela plataforma SP Covid-19 Info Tracker houve registro de queda.

NA REGIÃO

Em Botucatu, por exemplo, o número caiu 21,7% no período. Em Jaú, a queda foi de 46%, e em Lençóis Paulista, de 40,6%. De acordo com especialistas ouvidos pelo JC, a principal causa desta preocupante realidade no município é a baixa adesão da população às recomendações de distanciamento social e a medidas como o uso de máscara.

"Assim como Bauru, Botucatu e Jaú são referência para suas microrregiões, recebem pacientes de outras cidades, mas estes dois últimos municípios apresentam queda de internações. Avalio que a situação de Bauru está muito ligada ao comportamento da população, às aglomerações que continuam acontecendo entre pessoas que sequer usam máscara", analisa o médico infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, que trabalha em hospitais da rede pública e privada da cidade.

Ele reforça, inclusive, que as UTIs de Bauru continuam cheias, com número cada vez maior de pacientes com menos idade, resultado direto das aglomerações feitas por jovens e também do processo de vacinação, que já está protegendo em maior proporção a população mais idosa. "Porém, somente a vacina não será suficiente para gerar uma queda abrupta do número de casos, mortes e internações, até porque o processo de imunização, considerando a proporção da população, ainda ocorre em ritmo lento", destaca.

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