Regional

Irmãos fazem transplante cardíaco em intervalo de 2 dias no HC de Botucatu


| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Em um intervalo de 48 horas, dois jovens irmãos de Garça, que têm uma mesma doença cardíaca rara chamada Doença de Danon e aguardavam há oito meses na fila de transplante, receberam as notícias de órgãos compatíveis e ganharam novos corações em procedimentos realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). O caso ocorreu no início deste mês, mas só foi divulgado nesta quarta-feira (14).

Segundo o coordenador clínico do Transplante Cardíaco do HC, Flavio Brito, a doença dos irmãos Paloma, 19 anos, e Gustavo, 18 anos (apenas primeiros nomes foram divulgados pelo hospital), não tem tratamento e causa hipertrofia do músculo cardíaco. "O músculo fica mais espessado e, em alguns casos, o coração pode dilatar", explica. Nestes casos, o transplante cardíaco é a única opção.

A mãe deles, Noeli Rodrigues de Souza, também nasceu com a mesma patologia, mas conseguiu um novo coração há dois anos. "Logo após meu transplante, deixei tudo de lado para cuidar deles", conta. Os jovens passavam por acompanhamento semanal no Serviço de Cardiologia do HC de Botucatu e, há oito meses, aguardavam na fila por transplante. Em 48 horas, a vida deles mudou.

No último dia 2, Gustavo recebeu a notícia de que havia um órgão compatível no Estado do Paraná. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) auxiliou na captação. Enquanto isso, a equipe do Programa de Transplante Cardíaco  do HC se mobilizava para realizar o procedimento. "Quando se fala em coração, agimos com ele", diz a diretora de Assistência do hospital, Erika Ortolan.

Enquanto Noeli se dividia entre cuidar de Gustavo, que se recuperava na UTI Coronariana, e de Paloma, que continuava seu tratamento em casa, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HC fazia a captação de um novo órgão na própria unidade. No domingo (4), veio a notícia: após a oferta passar por toda a lista, apenas Paloma era compatível. Ela realizou o transplante no mesmo dia.

Os dois jovens irmãos estão estáveis, sob cuidados da equipe médica do hospital. "Um verdadeiro milagre. Quando veio a notícia do segundo órgão, foi uma alegria", declarou a mãe. "Agora, estou feliz por completo. Só posso agradecer a Deus, à medicina e às famílias que, mesmo em um momento difícil, decidiram salvar duas vidas. Agora, espero a recuperação dos dois, e o melhor: todos juntos".

Para o chefe do Programa de Transplante Cardíaco do HC, Marcello Felicio, em meio ao avanço da pandemia, histórias como essa fortalecem. "O transplante é uma causa nobre que nos motiva", afirma. "O sentimento é de gratidão pelas famílias que disseram sim, pelo apoio de toda a área administrativa do hospital, que nos ajudou a viabilizar os procedimentos, e, principalmente, por ver que dois irmãos terão uma nova chance".

Comentários

Comentários