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Estiagem antecipa queimadas em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Calor, baixa umidade, vegetação seca e vento formam a receita perfeita para uma bomba chamada fogo em mato. O estopim, no entanto, costuma ser a ação humana. Com a antecipação da estiagem, as queixas envolvendo este tipo de ocorrência, em Bauru, já começaram a chegar ao JC. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, confirma tal fenômeno. Para se ter ideia, só nos primeiros cinco dias deste mês, a corporação atuou em 53 queimadas na cidade, quase o dobro do mesmo período de 2020.

Os números do último trimestre, somados aos dos primeiros cinco dias deste mês, também mostram que houve um aumento das ocorrências envolvendo fogo em mato em relação ao mesmo período de 2020 e 2019.

Entre 1 de janeiro e 5 de abril deste ano, segundo o levantamento do Corpo de Bombeiros, a corporação atendeu a 268 casos do tipo contra 226 de 2020 e 234 de 2019, um crescimento de 19% e 14%, respectivamente.

De acordo com o comandante do Posto de Bombeiros de Bauru, o 1.º tenente Vinícius Alexandre Burin, a vegetação que não recebe chuva há algum tempo funciona como um combustível. Por isso, as ocorrências envolvendo fogo em mato são mais comuns nos períodos de estiagem. "No início deste ano, nós tivemos um baixo volume de precipitações, fato que adiantou a temporada das queimadas", acrescenta.

Engenheiro agrônomo e diretor do Jardim Botânico de Bauru, Luiz Carlos de Almeida Neto frisa que as altas temperaturas e a baixa pluviosidade, características comuns entre os meses de maio e outubro, provocam a secura da vegetação.

O engenheiro afirma que, neste ano, os efeitos da estiagem chegaram mais cedo do que o normal. "Este é um dos reflexos da anomalia climática conhecida como La Niña, que, em atividade desde setembro de 2020, causou a redução da frequência das chuvas e o aumento das temperaturas no Centro-Sul do Brasil", comenta.

AÇÃO HUMANA

Segundo o comandante do Posto de Bombeiros de Bauru, dos 268 casos do tipo atendidos pela corporação neste ano, somente um se deu na zona rural de Bauru. Na ocasião, o incêndio começou depois que um urubu bateu na rede elétrica, causando um curto-circuito. "Isso significa que a esmagadora maioria das ocorrências foi provocada pela ação humana", complementa.

Burin explica que existem incêndios culposos e dolosos. O primeiro caso envolve aqueles que não tiveram a intenção de provocá-los, ao jogarem uma bituca de cigarro no mato seco, por exemplo. 

Já os dolosos acontecem quando os seus responsáveis querem limpar os terrenos e ateiam fogo na vegetação. "O mato seco gera uma fumaça preta que pode provocar problemas respiratórios, algo ainda mais preocupante em tempos de Covid-19, uma vez que a doença afeta, principalmente, os pulmões", destaca o oficial.

RECOMENDAÇÕES

Para evitar o problema, Burin aconselha os cidadãos a manter os seus terrenos sempre limpos, bem como a vegetação baixa e acerada, ou melhor, com espaços de concreto em meio ao mato, evitando a propagação do fogo, caso haja algum foco de incêndio. Se isso acontecer, a indicação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.

O comandante do Posto de Bombeiros de Bauru reitera que a corporação age apenas de forma reativa e a fiscalização fica a cargo do poder público municipal. 

Paralelamente, antes da pandemia, o Corpo de Bombeiros trabalhava com o Programa Bombeiro Educador, que levava este tipo de conscientização para as escolas. Havia, ainda, panfletagem sobre o assunto nas áreas mais movimentadas da cidade. A iniciativa, contudo, precisou ser suspensa.

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