Um crime que aterrorizou Bauru na década de 1970 ainda reverbera. Depois de quatro dias desaparecida, após ter ido à escola, Mara Lúcia Vieira foi encontrada no banheiro de uma casa abandonada localizada na região central da cidade. Violentada, estuprada e assassinada. A brutalidade do crime - apesar de ainda despertar incompreensão e revolta - permanece. Não há culpados. Ninguém sabe quem violentou e assassinou a criança. Mas, sobre a história, pairam boatos e hipóteses que nos revelam enquanto sociedade.
Com o espetáculo "Talvez isso não seja totalmente preciso, mas aqui está", o grupo teatral bauruense Protótipo Tópico leva aos palcos - por meio da técnica do teatro documental - uma inquietante leitura da morte de Mara Lúcia que faz o público se questionar sobre qual é o espaço, concreto e subjetivo, que a barbárie nos lega no presente. Em cena, Andressa Francelino e Fábio Valério, traçam um percurso cênico fruto de extensa pesquisa sobre o crime em temporada virtual, que estreia neste sábado (17) e segue até 26 de abril, sempre às 20h.
A morte brutal de uma menina de nove anos, Mara Lúcia, em 1970 na cidade de Bauru é o disparador para uma sequência de cenas poético documentais que buscam tentar entender a brutalidade de ontem que persiste no hoje. As lembranças de uma amiga de Mara, fragmentos do texto Memórias do Subsolo de F. Dostoiévski, reportagens sobre o fato e o próprio assombro dos artistas envolvidos se misturam na construção em cena de uma memória fabricada.
Ao fim da primeira e da última sessão, haverá bate-papo entre o grupo, o diretor do espetáculo Marcelo Soler, da Cia. Teatro Documentário de São Paulo, Georgette Fadel, responsável pela preparação dos atores e, como convidados, no dia da abertura da temporada (17) participará dessas reflexões sobre a obra o comunicólogo e gestor cultural Silvio Luiz e no encerramento (26), haverá a participação da jornalista e animadora cultural Graziela Nunes.
Além de ser transmitido no canal oficial do Grupo Protótipo Tópico no YouTube, as exibições também irão acontecer na página no Facebook de renomados grupos teatrais do estado de São Paulo, como a Cia. do Tijolo, Teatro de Contêiner do grupo Mungunzá, companhia Azul Celeste e do Lume Teatro, possibilitando uma nova forma de realizar a circulação do espetáculo, agora de maneira online.
Com isso, além da difusão cultural - e da promoção da discussão de temas urgentes como violência de gênero, impunidade e desigualdade social - a temporada ainda será uma oportunidade para o público interessado entrar em contato com a produção e conhecer os processos artísticos tanto do Protótipo Tópico quanto dos grupos convidados a transmitir a obra.
DOS PALCOS ÀS TELAS
De acordo com a Cia., quem já teve a oportunidade de assistir ao espetáculo presencialmente irá vivenciar uma nova experiência ao acompanhar a temporada online de "Talvez isso não seja totalmente preciso, mas aqui está". Já para o público que não assistiu a peça, a partir de hoje, poderá conhecer os impactos da morte de Mara Lúcia sob a perspectiva da transposição cênica para as telas.
A obra passou por adaptação para a sua estreia no formato audiovisual. Com uma direção minuciosa, esse trabalho vai proporcionar ao público uma imersão na história, possibilitando uma valorização dos detalhes cênicos, estéticos e poéticos apresentados pelo grupo que conta com 12 anos de palcos.
SERVIÇO
A temporada online de "Talvez isso não seja totalmente preciso, mas aqui está", do Grupo Protótipo Tópico tem classificação de 16 anos e estreia neste sábado (17), sempre às 20h, pelo canal oficial do grupo Protótipo Tópico no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC31zV4-2WE78Y80m-hy4k2w e nas páginas do Facebook de grupos teatrais convidados.