Washington - O governo Joe Biden reconheceu publicamente pela primeira vez nesta sexta-feira (16) a importância do compromisso do presidente Jair Bolsonaro em acabar com o desmatamento ilegal até 2030 no Brasil, mas pediu "ações imediatas" e "engajamento com as populações indígenas e sociedade civil" para que a promessa possa gerar resultados que os americanos classificam como tangíveis.
O porta-voz do recado foi o enviado especial para o clima de Biden, John Kerry, que escreveu em seu Twitter uma mensagem marcando Bolsonaro.
"O novo compromisso do presidente Jair Bolsonaro de eliminar o desmatamento ilegal é importante. Esperamos ações imediatas e engajamento com as populações indígenas e sociedade civil para que seu anúncio possa gerar resultados tangíveis", escreveu.
SENADORES CONTRA
A fala minimizou uma corrente contra o governo brasileiro. Em carta ao presidente americano, Joe Biden, 15 senadores do Partido Democrata afirmam que o presidente Jair Bolsonaro teria dado "sinal verde" para atividade criminosa na Floresta Amazônica. No texto, enviado nesta sexta-feira (16) à Casa Branca, eles pedem que Biden só ofereça assistência ao Brasil na área ambiental se o governo brasileiro mostrar "progresso significativo e sustentado" na redução do desmatamento e fim da impunidade por crimes ambientais.
Enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry qualificou nesta sexta-feira (16) no Twitter como "importante" o compromisso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "eliminar o desmatamento ilegal" no Brasil. Em sua mensagem, a autoridade americana disse também querer ver "resultados tangíveis" nessa frente.
BOLSONARO
Em carta enviada a Biden na quarta-feira (14), Bolsonaro se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal em território brasileiro até 2030 e ponderou que a meta "exigirá recursos vultosos e políticas públicas abrangentes."
Até agora, integrantes do Departamento de Estado americano e funcionários da Casa Branca comentavam o conteúdo do texto apenas nos bastidores, celebrando a promessa, mas pressionado por resultados ainda neste ano e medidas concretas que mostrassem o caminho para atingir a meta.
Zerar o desmatamento até 2030 foi um compromisso feito pelo Brasil em 2015, no âmbito do Acordo de Paris, mas essa foi a primeira vez que Bolsonaro se comprometeu com o número, em promessa considerada de alto nível diplomático, feita diretamente a Biden.